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Resenha – Uma canção de ninar

Publicado em 8 de maio de 2017
- Editoras, Resenhas, Seguinte, Young Adult

LIVRO ESPECIALMENTE INDICADO para quem gosta da escrita da autora ou gostaria de conhecer seu trabalho, para quem curte young adult e todas as questões relacionadas à esta fase da vida. Ideal para aqueles momentos em que buscamos um livro único, com uma história sem grandes dramas e mais superficial.

 
Hoje vou falar sobre Uma canção de ninar, o novo livro da autora Sarah Dessen. Meu conhecimento da obra desta autora não é vasto, li somente o livro que estou resenhando hoje, e Os bons segredos, lançado em 2015. A experiência de leitura foi semelhante em ambos os casos.

Nesta obra Dessen conta a história de Remy, uma adolescente que tem mania de manter tudo organizado, que é capaz de solucionar qualquer problema alheio. Ela acabou de se formar no ensino médio e está contando os dias para ir embora de casa, rumo à faculdade.  Remy precisa apenas passar pelo verão, e tem em mente tudo aquilo que deseja fazer durante este tempo: organizar o quinto casamento da mãe, aproveitar a companhia das amigas, terminar um namoro que está ficando sério demais, conhecer algum carinha que não queira nada sério, assim como ela não quer, para aproveitar os últimos momentos na cidade.

Apenas aprecie a liberdade do caos.

Para sua surpresa, Dexter surge. E ele é tudo aquilo que ela não quer, o oposto do que ela busca em um rapaz: é vocalista em uma banda, desengonçado, bagunçado. Não é forte nem másculo, mora com os amigos e um cachorro. Embora seja tudo o que ela detesta, Dexter talvez seja aquilo que ela precisa. Talvez porque está de passagem pela cidade, é divertido, perseverante, costuma ver o lado bom de tudo. Há, não poderia deixar de falar, ele entende tanto de casamentos e separações dos pais quanto a protagonista.

Percebi que falar de questões presentes no cotidiano é uma característica da autora. Ela é capaz de levantar indagações importantes, que podem despertar empatia em praticamente todos os leitores que investem no livro. Afinal, quem nunca pensou em se proteger de um coração partido? Quem nunca quis aproveitar a vida do jeito que acha certo, mesmo que não seja? Quem nunca quis ter mais tempo com alguém que se foi, ou quem nunca sofreu e chorou ao ouvir uma canção que toca a alma? O livro aborda questões muito humanas, por isso é fácil ser empático. Por isso a gente se permite ler até o final.
 
Embora tenha muito conteúdo, e conteúdo de qualidade, para esmiuçar, a autora peca no ritmo do livro. Sim, há momentos em que a gente ri, principalmente quando Dexter e sua banda estão em jogo. Ou, quando Macaco, um cachorro velhinho e simpático aparece. A gente se emociona também, quando a relação mãe e filha se torna o foco do livro, ou quando Remy percebe tudo aquilo que ela está perdendo, por medo de tentar. A gente se diverte quando as amigas estão juntas, compartilhando seus dramas e suas alegrias.
O leitor sente tudo isso, mas de maneira muito superficial. Pelo menos aconteceu comigo. Ou melhor, a sensação que tive durante a leitura de Os bons segredos, como disse, se repetiu. Aquele sentimento de que há tanta coisa ali capaz de tocar e emocionar, há tantas possibilidades de desenvolvimento, há uma profundidade tão grande a ser alcançada… Mas tudo fica no superficial. Acredito que esse é o maior pecado cometido pela autora, o único problema da leitura: não é capaz de nos alcançar, lá no fundo.

Talvez um casamento, como a vida, não fosse composto apenas de Grandes Momentos, bons ou ruins. Talvez fossem todas as pequenas coisas – como ser conduzida adiante lentamente, com segurança, dia após dia – que fortaleciam até o mais tênue dos laços.

Confesso que fico triste quando isso acontece. Quando termino a leitura com a sensação de que podia ter sentido mais, inquietado mais. Como leitora, fico triste ao pensar que a história tem potencial: protagonistas com conteúdo, personagens secundários cativantes, tensão emocional, reviravoltas (esperadas, mas reviravoltas), e um desfecho. E, mesmo assim, ‘não chega lá’. É como se a gente desse de cara com algo que pode ser perfeito, mas não é. Foi a sensação que ficou, ao término do livro. Uma tristeza, pelo que poderia ter sido, pelo que eu gostaria que tivesse sido.
Pode ser coisa minha, uma exigência absurda? Pode, claro que sim. Mas se a gente levar em consideração todo o sucesso que a autora faz mundo afora, é difícil não criar expectativas. É difícil o leitor ler uma sinopse interessante e ver uma capa tão bonita, e não associar a conteúdo de qualidade. Se for para indicar o livro, o faço com ressalvas. Sugiro que não crie expectativas. Que se permita acolher os personagens, mas sem esperar que eles abracem de volta. Que tente aproveitar a leitura e, quem sabe, ser capaz de estimar mais do que eu fui.

Passei dois anos com um único objetivo: sair. Ir embora. Conseguir as notas de que precisava para finalmente viver uma vida só minha. Sem organizar casamentos. Sem romances conturbados. Sem uma sequência de padrastos. Apenas eu e meu futuro, finalmente juntos. Agora conseguia acreditar num final feliz.


Livro: Uma canção de ninar
Autora: Sarah Dessen
Lançamento: 2016
Editora: Seguinte
Páginas: 320
Sinopse: Remy não acredita no amor. Sempre que um cara com quem está saindo se aproxima demais, ela se afasta, antes que fique sério ou ela se machuque. Tanta desilusão não é para menos: ela cresceu assistindo os fracassos dos relacionamentos de sua mãe, que já vai para o quinto casamento. Então como Dexter consegue fazer a garota quebrar esse padrão, se envolvendo pra valer? Ele é tudo que ela odeia: impulsivo, desajeitado e, o pior de tudo, membro de uma banda, como o pai de Remy — que abandonou a família antes do nascimento da filha, deixando para trás apenas uma música de sucesso sobre ela. Remy queria apenas viver um último namoro de verão antes de partir para a faculdade, mas parece estar começando a entender aquele sentimento irracional de que falam as canções de amor.

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23 Comentários

  • Isabela Carvalho

    Nossa, que chato Krisna!
    Eu adoro a escrita da autora desde Just Listen, livro que tenho um carinho muito especial.
    Esse estava na minha lista, mas já vi outras resenhas falando coisas parecidas com o que você descreveu do livro ;(
    Mas obrigada pela dica!

    8 de maio de 2017 às 19:51 Responder
    • Krisna Carvalho

      Isa, tudo bem? De repente pode ter sido o momento da leitura, não sei. O que percebi é que a autora escreve muito bem e deixa no leitor aquela vontade de saber mais. No meu caso, a vontade se tornou frustração quando ela não se aprofundou os temas…

      Beijos

      22 de maio de 2017 às 12:59 Responder
  • Caroline Garcia

    Li apenas um livro da autora, O Que Aconteceu Com o Adeus, e me apaixonei pela escrita dela, mas por incrível que pareça não criei muitas expectativas em relação a Uma Canção de Ninar, pois estou vendo algumas opiniões não muito positivas por ai e isso me deixou com um pé atrás.
    Confesso que gostaria de ler o livro sim, mas num futuro -um pouco distante-.
    Tenho outros livros dela que gostaria de ler mais 🙂
    Gostei da resenha e da sinceridade.
    Beijos,
    Caroline Garcia

    8 de maio de 2017 às 20:19 Responder
    • Krisna Carvalho

      Carol, obrigada pela visita!

      Acho que sinceridade é o ponto de maior força das resenhas. Eu gosto de ler opiniões sinceras, pois confesso que minha lista de leitura acaba sendo criada a partir de opiniões, indicações, além do desejo pessoal. Penso nisso antes de escrever minhas resenhas, mas levando em consideração sempre que gosto é coisa muito particular, e leitura é muito de momento também.

      Beijo

      22 de maio de 2017 às 13:02 Responder
  • Lili Aragão

    Oi Krisna, é muito chato quando essa sensação de superficialidade nos domina durante a leitura e é uma pena que isso tenha ocorrido durante tua leitura com essa história. Ainda não li nada da autora, ela é uma das que tenho curiosidade de conhecer, mas acho que não vai ser por essa história, mesmo que ela fosse descrita por ti como superficial, não senti muito interesse em conhecer essa história, mas espero ter oportunidade de ler outras dela 😉

    8 de maio de 2017 às 20:54 Responder
    • Krisna Carvalho

      Lili, tudo bem?

      A Sarah escreve muito bem. Acho que minha frustração vem justamente por conta dessa característica, pois ao gostar da história quero saber mais sobre ela… Infelizmente esse lance de não se aprofundar aconteceu nos meus dois contatos com a escrita desta autora. Não sei se dou mais uma chance, pois embora tenha ficado essa decepção há uma infinidade de avaliações positivas de outros livros dela. Vai que, né?

      Beijo

      22 de maio de 2017 às 13:04 Responder
  • Cristiane Dornelas

    Caramba, é isso mesmo! Já li bons livros dessa autora, mais de 5 ou coisa assim, acho. E se tem um troço que me decepciona nela é que ela consegue fazer umas histórias muito legais, que te envolvem e tocam em assuntos importantes, com bons personagens e tudo mais, mas no final parece superficial! Ahhrg que frustrante! Não tem um livro que li ela e saí totalmente satisfeita. Em todos fiquei sentindo falta de algo mais, de sentir alguma coisa, com a sensação de que falta algo pra ser bom. Tem potencial e não alcança =(
    Mas continuo lendo livros dela e tenho desejo de ler mais. Com esperança de que isso mude e algum me deixe satisfeita por completo. Esse é outro que ainda tenho que ler, mas pelo jeito não sei não. Acho que a maldição da leitura rasa vai se repetir =/

    9 de maio de 2017 às 00:01 Responder
    • Krisna Carvalho

      Cris, tudo bem? Só li dois livros da Sarah, qual você indica que fique uma sensação menor de frustração? Quero arriscar pra ver se é isso mesmo ou se eu acabei encrencando com a pobre mulher rs

      Beijo

      22 de maio de 2017 às 13:06 Responder
  • Herica Lima

    Poxa! Jurava que esse livro fosse legal.
    Eu nunca li nada da autora e vi esse livro da Concorde, eu pensei: Acho que comprarei, mas acabei comprando outro hehehe
    A história parece ser super boa, mas quero termina-lo e senti que a história foi aquilo que pensei.
    Vou ver se leio!

    9 de maio de 2017 às 02:10 Responder
    • Krisna Carvalho

      Herica, tudo bem?

      Acho que vale a pena você dar uma chance. Eu acabo me frustrando às vezes porque crio expectativas, é só tentar minimizar esse sentimento antes de iniciar a leitura. Vai que você gosta?

      Beijo

      22 de maio de 2017 às 13:07 Responder
  • Lana Silva

    Concordo plenamente com sua opinião, e apesar de ainda não ter lido essa obra da autora, quando tive oportunidade de leitura na sua obra Os bons segredos tive a mesma sensação, de que a premissa do livro tinha um grande potencial, que a Sarah infelizmente não conseguiu desenvolver uma boa trama. Mesmo assim pretendo dar uma chance a essa leitura, até porque a escrita da autora e gostosa, com personagens cativantes e envolventes.

    9 de maio de 2017 às 11:34 Responder
    • Krisna Carvalho

      Lana, os bons segredos deixou essa sensação ainda maior do que em canção de ninar, porque lá ela tinha MUITO conteúdo interessante pra se aprofundar, né? Eu também quero dar mais uma chance, só li esses dois e sinto vontade de conhecer mais obras delas, como você disse, ela escreve bem… vai que surpreende? rs

      Beijo

      22 de maio de 2017 às 13:09 Responder
  • Aichha Carolina Pereira

    Oi Krisna,
    Super te entendo, cheguei a iniciar Aquele Verão mas parei por achar meio monótono (um dia que sabe eu retomo). Muitas vezes o autor quer abordar várias questões e relações e no fim não se aprofunda em nada. Uma pena.
    Beijos

    9 de maio de 2017 às 11:54 Responder
    • Krisna Carvalho

      Aichha, tô com Aquele verão aqui na fila. Comprei o físico e estou criando coragem pra ler, mas a priori sem expectativa nenhuma, ainda mais agora sabendo que é monótono.

      Beijo

      22 de maio de 2017 às 13:11 Responder
  • Mariana Paiva

    Ainda não li nada da Sarah Dessen e pra ser sincera não sei bem por qual começar.
    É uma pena quando a gente terminar o livro com a sensação de que foi tudo muito superficial. As vezes me pergunto até se não é a intenção do autor, colocar assuntos sérios ali e tentar deixar ele leve apesar de tudo não aprofundando em assuntos que são importantes. Não sei se soube explicar, mas é uma sensação que eu tenho as vezes. Essa autora realmente faz muito sucesso mundo a fora e fica difícil para muitos leitoras não criar expectativas esperando certas coisas durante a leitura. Tomara que o próximo livro dela te agrade mais, fico aguardando resenha.

    11 de maio de 2017 às 14:18 Responder
    • Krisna Carvalho

      Mariana, você falou algo muito importante: o fato dela fazer tanto sucesso acaba por elevar as expectativas da leitura. Foi o que aconteceu comigo nas duas oportunidades que tive. Não sei se ela não se aprofundou para deixar o tom do livro mais leve, porque se fosse o caso, ela não deveria escolher assuntos diferentes? Sei lá, pode ter sido isso também…rs

      Beijo e obrigada pela visita.

      22 de maio de 2017 às 13:16 Responder
  • Priscila Tavares

    Oi Krisna!
    Quando acontece essa sensação no final de uma leitura, de que o autor poderia ter abordado e desenvolvido o final de forma mais intensa, mais interessada, lembro da minha professora de história. Teve uma vez que ela pediu que escrevêssemos um texto, e me lembro que me empenhei sabe, fui bem a fundo no tema, mas o final, escrevi meio que de qualquer jeito. Aí ela leu e falou que ficou a impressão de que fiquei com preguiça de escrever mais. Não sei se é isso que acontece nos livros, se os autores se cansam da história, mas é ruim quando vemos algo que poderia ter alcançado todo um potencial diferente.
    De qualquer for, ainda pretendo ler a obra.
    Beijokas
    Quanto Mais Livros Melhor

    14 de maio de 2017 às 03:15 Responder
    • Krisna Carvalho

      Priscila, tudo bem?

      Pode ser sim isso que você falou… Por isso quero conhecer outros livros da Sarah, pra entender se podem ter sido casos isolados (nas duas vezes que li algo dela) ou se de fato é uma característica dela. Sei lá, deixar as lacunas para o leitor preencher?

      Beijo e obrigada pela visita.

      22 de maio de 2017 às 13:22 Responder
  • Plataforma Literária - Vanessa Januth

    Me pareceu uma história bem realista e nem um pouco clichê como as que vemos por aí. Nunca li nada da autora, mas espero ler em breve. Parece ser um livro mediano, então lerei sem muita expectativa mesmo. Linda sua resenha. Bjs

    14 de maio de 2017 às 22:59 Responder
    • Krisna Carvalho

      Vanessa, obrigada pela visita!

      Acho que o melhor conselho é justamente ler sem expectativas. Assim caso a gente se surpreenda positivamente, é ótimo. Caso não, não sofremos rs

      Beijo

      22 de maio de 2017 às 13:23 Responder
  • Leituras da Ketellyn

    Primeira resenha que leio desse livro, infelizmente, mesmo lendo a sua resenha não consegui me interessar, acho que a leitura não ira me agradar. Se acontecer de eu ganhar eu o leio.

    20 de maio de 2017 às 01:49 Responder
    • Krisna Carvalho

      Olá, tudo bem?

      Se eu ganhasse algum dela também leria, mas confesso que não tenho mais vontade de comprar nenhum livro da Sarah. Aliás, depois dessa leitura comprei mais um, então a autora ter mais espaço na minha estante vai depender muito do fato dela conseguir me fazer gostar da leitura ou não rs

      Beijo

      22 de maio de 2017 às 13:25 Responder
  • suzana cariri

    Oi!
    Sempre vejo muitos comentários sobre os livros e a escrita da Sarah Dessen, mas ainda não li nenhum livro da autora, até agora nenhum de seus livro me chamou atenção, mas acho interessante a forma que ela explora os assuntos do dia a dia, de modo que acaba nos fazendo refletir bastante, por isso quando vi esse livro pensei que seria o tipo de livro intenso que acaba nos fazendo mergulhar na historia, por isso é realmente chato quando isso não acontece !!

    29 de maio de 2017 às 17:18 Responder
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