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Resenha – Quem era ela

Publicado em 31 de março de 2017
- Sem classificação
Livro: Quem
era ela | Autor: J.P. Denaley |
Lançamento: 2017 | Editora: Intrínseca | Páginas: 336| Classificação do Skoob: 4,2 | Onde comprar: Amazon / Saraiva
*E-book
do acervo pessoal
Quando
eu li a sinopse de Quem era ela, fiquei agoniada para ter o livro. Não pelo
marketing, que com certeza atiçou a curiosidade dos leitores e deixou um clima de tensão no
ar. Mas por conta da premissa instigante e, pra mim, inovadora.

Quando
comecei a leitura me senti tensa, angustiada. Primeiramente porque o livro
começa fazendo a seguinte sugestão: “Faça uma lista de todos os bens que
considera essenciais para a sua vida”. 
Claro que eu fui adicionando todos os meus livros, crianças e gatos à essa lista. Meus
quadros com fotografias e mimos que costumo comprar em viagens também não
ficaram de fora. Mas acontece o seguinte, sabem a sinopse que eu comentei que
me deixou angustiada? Pois então, nela fica claro que para viver no nº 1 da
Folgate Street você não pode levar nada disso. Adeus livros. Adeus bichos de
estimação, adeus crianças. E agora?

 “Estão
proibidas alterações de qualquer tipo, exceto com acordo prévio. Nada de
tapetes ou carpetes. Nada de quadros. Nada de vasos de plantas. Nada de
ornamentos, nada de livros…

– Nada de livros! Isso é ridículo!”

A
narrativa foca em duas protagonistas, alternando os pontos de vista em um vai e
vem entre passado e presente. A ideia, pelo que pude observar, era muito mais
do que mesclar as histórias de duas mulheres aparentemente normais e parecidas.
O objetivo do autor é construir através desses recortes uma história que se
entrelaça, se repete. Ou assim a gente pensa.
Emma
viveu na Folgate Street primeiro. Mudou-se para lá com o namorado, Simon, após
sofrer um assalto. Sentindo-se muito insegura, viu naquela casa desprovida de
excessos uma possibilidade de recomeço. Como se o imóvel imaculado fosse uma
espécie de página em branco, e a própria Emma uma tabula rasa. A bagunceira
precisaria aprender a viver com regras e limites impostos. Precisaria obedecer aos
padrões exigidos caso quisesse permanecer ali.
Jane
mudou-se para o imóvel tempos depois da saída de Emma. Após sofrer uma perda e
decidir mudar diversas questões em sua vida, Jane viu naquela casa a
oportunidade perfeita. Ela própria era dotada de elegância, sofisticação e
certa rigidez. Combinava perfeitamente com o imóvel branco e imaculado,
cheio de regras e restrições; mas que ao mesmo tempo permitia ao seu inquilino
a possibilidade de alcançar uma dose extra de perfeição. Jane imaginou que
seria muito feliz ali.

“Aquela sensação que eu tinha de estar representando
para uma plateia invisível foi substituída pela consciência, pela onipresença
do olhar perspicaz de Edward, e a sensação de que a casa e eu somos parte de
uma indivisível mise-em-scène”.

Questões
vão surgindo, conforme passado e presente vão se mostrando ao leitor. A história
de Emma se torna uma obsessão para Jane, que vai cada vez mais fundo na
tentativa de descobrir os mistérios que coabitam o nº 1 da Folgate Street.
Tudo
muito sinistro, hein? A verdade? Não achei, e vou explicar os motivos.
Primeiro, eu gosto do recurso de alternar o sujeito de forma que a narrativa se
torne mais rica. Mas neste livro o recurso falha, e deixa a impressão de que as
protagonistas competem entre si para descobrir quem mente mais, quem engana
mais, quem é mais subjugada. Li no Instagram um comentário que fez muito sentido
pra mim: “A impressão é que a história é um misto de Cinquenta tons de cinza
com Garota exemplar”. E posso ser sincera? Achei bem isso mesmo.
Aqui
temos não somente essas mocinhas teoricamente submissas; mas também um homem
dominador, emocionalmente instável e indisponível. O arquiteto Edward é o tipo
de personagem que a gente desconfia desde cedo, por conta de diversas atitudes
suspeitas. Além dele temos Simon, o outro personagem masculino de destaque na
trama. Namorado de Emma, ele idolatra a moça. Limpa o chão que ela pisa, faz
tudo por ela. Mas a questão do excesso também pode ser um fator complicado para se
lidar. Principalmente se levarmos em consideração que, além de toda a pressão
externa que as protagonistas sofrem, a casa em si acaba se tornando um ambiente
hostil.
Enfim,
resumindo: Uma casa, duas mulheres, dois homens. Relacionamentos que se formam e se
rompem por motivos nem sempre coerentes. Regras que são quebradas, pessoas que manipulam e são manipuladas, transgressões que são cometidas, um mistério que nem é tão misterioso assim, um plot twist que, embora não seja tão previsível, é esperado…
Talvez o intuito do autor tenha sido transformar a história num thriller, num suspense
eletrizante. Penso que não foi nem uma coisa nem outra e talvez isso tenha
causado minha frustração. Para mim não passou de uma tentativa de chocar e
surpreender que não deu muito certo.

“Então…
Bum.
Ele
se irritou.
E
eu tive o melhor sexo da minha vida.
Eu
me encaixo no calor entre seu braço e seu peito e repito as palavras que gritei
há pouco.
Sim,
papai. Sim”.

De
qualquer forma, gostaria de deixar claro o seguinte, quebrei a principal regra
de uma leitora inquieta: criei expectativas. E o problema de criar expectativas
a respeito de algo é que elas podem muito bem ser superadas… Mas podem também
não ser correspondidas. Esse foi meu
caso. Quis demais, esperei demais, criei expectativas demais e quando não foi do jeito que imaginei, fiquei frustrada. Vale lembrar, entretanto, que o livro está despertando não só a
curiosidade dos leitores, mas também agradando e surpreendendo várias pessoas.
Não rolou comigo, mas isso não significa que a fórmula não vá funcionar para
vocês. Caiam dentro, permitam-se conhecer o nº 1 da Folgate Street. Vocês podem
se apaixonar. Se quiserem comentar aqui o que acharam, fiquem à vontade.

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4 Comentários

  • Girlene Viey

    Bom dia, tudo bem?

    Assim como você fiquei bastante curiosa para conhecer esse livro.
    Essa é primeira resenha que leio dele, se não me engano. O que podemos dizer?? Continuo curiosa ainda, agora ainda mais sabendo que livro começa com uma pergunta e que faz a gente pensar em tanta coisa, e ao mesmo tempo nada, sabe. Amo muito leio que fazem a gente refletir sobre algumas coisas. Além dessa coisa de intercalar o passado e presente, que acho maravilhoso porque podemos conhecer melhor o madurecimento dos personagem. Enfim, amei tudinho, resenha, historia, e essa capa maravilhosa

    Beijos

    31 de março de 2017 às 15:02 Responder
  • Aichha Carolina Pereira

    Oi Krisna,
    Realmente livros vão muito do gosto do leitor e até em que momento o leitor se encontra. As vezes não estamos num momento ideal para aquele tipo de livro. Agora se realmente tem uma pega de Garota Exemplar to fora kkkkk
    O história horrorosa, tinha tudo para ser legal, mas realmente se perdeu no caminho.
    Beijos

    31 de março de 2017 às 16:47 Responder
  • Ana Luisa Ricardo

    Eu fiquei curiosa no início da sua resenha, achei interessante a pergunta que o livro faz, mas depois, no final, acabei perdendo a vontade de ler. Acho que eu esperava outro gênero literário.

    1 de abril de 2017 às 17:56 Responder
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