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Resenha – O trem dos órfãos

Publicado em 24 de maio de 2017
- Drama, E-book, Editoras, Planeta, Resenhas

LIVRO ESPECIALMENTE INDICADO PARA quem busca uma história inspirada em fatos reais, para quem gosta de livros com uma carga dramática maior e que apresentam uma narrativa não linear. Para ler naqueles momentos em que buscamos algo mais denso, emocionante e triste.

O post de hoje é sobre minha última leitura, O trem dos órfãos. Escrito pela autora Christina Baker Kline e publicado no Brasil pela Editora Planeta, o livro chamou minha atenção principalmente por ter sua história baseada em acontecimentos reais.

Com uma narrativa contada ora em primeira pessoa e ora em terceira, a  autora nos relata as histórias de Vivian e Molly, com 91 e 17 anos respectivamente.  Molly é uma adolescente órfã que já passou por muitos lares adotivos e disfuncionais. Tem uma postura dura e irônica, muito provavelmente para esconder que no fundo precisa de amor, se sente sozinha e desamparada. Após ser pega roubando um livro Molly pode ser enviada para um reformatório, para impedir que isso aconteça ela opta por prestar serviços comunitários. Neste momento surge Vivian.
Aos 91 anos de idade e vivendo uma vida solitária, pois perdeu todas as pessoas que amava com o passar dos anos, Vivian percebe que é o momento de organizar o sótão. Engana-se quem pensa que ela precisa fazer isso somente por uma questão estrutural, e que ainda não o fez pois não tem forças físicas para mover as dezenas de caixas que estão ali. Claro, é um pouco disso. Mas a grande questão é que naquelas caixas estão lembranças de décadas de vida… Lembranças agridoces que prometem trazer à tona sentimentos e histórias boas e ruins. Percebi neste momento que mais do que uma pessoa com força física, Vivian precisava de alguém com ouvidos atentos e empatia suficiente para compreender a importância de tudo aquilo que ela tinha a dizer.
  
Molly aprendeu há muito tempo que boa parte do desgosto e da traição que outras pessoas temem a vida inteira ela já enfrentou […] E, ainda assim, respira e dorme, e fica mais alta. Acorda todas as manhãs e se veste. Então, quando diz que está tudo bem, o que quer dizer é que sabe que pode sobreviver a praticamente qualquer coisa.
Através de objetos impregnados de sentimentos Vivian conta sua história, desde que saiu da Irlanda após perder sua família até sua busca por uma família adotiva que além de lhe acolher, fosse capaz de lhe dar amor e possibilidades de um futuro. Molly, por sua vez, não somente ouve a senhora falar sobre suas desventuras, mas reconhece ali muito da sua própria história, afinal, ela ainda lida com muitas questões relacionadas ao fato de não ter ninguém, e nutre também esse sentimento e uma necessidade de pertencimento. Ali o que era uma espécie de “condenação” por um ato infracionário, se transforma em algo mais. O leitor percebe o nascimento de uma amizade e embarca com as protagonistas em uma história que mistura passado e presente.
Essa não é uma leitura muito fácil. Não chega a ser arrastada, mas o livro tem um ritmo mais lento que por vezes pode cansar o leitor. Também pudera, tanta bagagem emocional precisaria sim ser compartilhada em doses homeopáticas.  Por conta disso, é aos poucos que o leitor vai conhecendo mais sobre as personagens, o que elas têm em comum, suas vivências, seus sonhos, todo o movimento de suas vidas até o dia em que seus caminhos verdadeiramente se cruzam.
“Então, sua personalidade vai sendo moldada. Você aprende mais, e esse conhecimento faz de você uma pessoa cautelosa. Você se torna alguém desconfiado e com medo. A expressão de suas emoções não vem naturalmente, e então você aprende a fingir. A exibir uma empatia que realmente não sente. E é assim que você aprende a avançar, se tiver sorte, a se parecer com todos os outros, mesmo que esteja partido por dentro.”
O trem dos Órfãos é um livro que fala sobre força, sobre perseverança, sobre as consequências de tudo o que vivenciamos na infância e que, de certa forma, molda nossa personalidade. É uma história que fala sobre o preconceito sofrido pelos órfãos, o de antigamente e o atual, tão parecidos. Mas além de tudo é um livro que fala sobre as possibilidades que nos são apresentadas no decorrer da nossa existência, o que podemos chamar também de destino ou de planos de Deus para nossas vidas, como cada um preferir.  A escrita de Christina e a maneira como ela foi capaz de me envolver, fez-me lembrar bastante das obras de Kristin Hannah, principalmente do seu livro Jardim de Inverno. Então para quem gostaria de uma leitura neste estilo, fica a dica e a recomendação deste livro.

Livro: O trem dos órfãos
Autora: Christina Baker Kline
Lançamento: 2014
Editora: Planeta
Páginas: 304
Quando Vivian Daly, uma senhora de 91 anos, decide se livrar de seus pertences antigos ela acaba recebendo a ajuda de Molly, uma adolescente órfã e rebelde, que está disposta a prestar serviços para não acabar no reformatório. Revivendo cada momento marcante de sua história, Vivian conta para Molly sobre sua família irlandesa pobre que foi de barco para Nova York em busca de uma nova vida e acabou morta em um incêndio. Sendo a única sobrevivente, ela foi levada por um trem com outras centenas de crianças que teriam seu destino decidido pela sorte. Seriam elas adotadas por famílias gentis e amáveis, ou teriam de encarar uma infância e adolescência de servidão e trabalho pesado?

 

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10 Comentários

  • Aichha Carolina Pereira

    Oi Krisna,
    Parece um livro cheio de doçura e da construção de uma amizade entre Molly e Vivian. Achei bem interessante.
    Beijos

    24 de maio de 2017 às 16:22 Responder
  • Isabela Carvalho

    Olá Krisna 😉
    Normalmente não leio esse tipo de livro, mas achei muito legal a premissa, já que fala sobre perseverança *-*
    Adorei a indicação, muito obrigada!
    Já coloquei na lista de leitura!
    Bjos

    24 de maio de 2017 às 18:42 Responder
  • Lili Aragão

    Oi Krisna, essa parece ser uma história tocante e delicada, ser órfã aos 17 já tendo uma bagagem grande em anos de solidão deve ser difícil e só por isso já me conectei e criei empatia pela personagem, imagino que a relação que vá surgir entre Vivian e Molly seja bem bonita e mesmo que a narrativa seja um pouco lenta o livro parece valer a pena 😉

    24 de maio de 2017 às 21:09 Responder
  • Cristiane Dornelas

    A premissa dele parece muito boa, gostei do jeito do livro. Mas ainda demoro pra ter aquela vontade de ler, viu. Não por ele ser ruim. Acho que o livro é forte por tudo que conta e os sentimentos que tem e por isso pode ser uma leitura um pouco arrastada pra mim. Gosto de coisas assim, mas não leria no momento. É um livro que já coloquei na minha lista de leituras futuras. Se lembra um pouco do jeito da Kristin Hannah de escrever acho que ele pode ser bem marcante, mas preciso ler no momento certo mesmo.

    24 de maio de 2017 às 21:18 Responder
  • Caroline Garcia

    Não parece ser uma leitura fácil, mas tem cara de ser bem emocionante né?
    Ainda mais sabendo que é baseada em fatos reais!
    Fiquei curiosa pra conhecer a história dessas duas.
    Superação, força… Gosto de temas assim.
    Beijos,
    Caroline Garcia

    25 de maio de 2017 às 00:09 Responder
  • Lana Silva

    Ainda não conhecia esse livro, e apesar de a leitura ser densa, por causa da carga emocional, mesmo assim consegui me interessar por essa leitura. Imagino que o que os órfãos passam e realmente esse preconceito, discriminação, entre outras coisas, e aposto que todo essa drama e desenvolvido de forma bem descrita, no qual conseguimos ter empatia pelos personagens. O livro tem uma premissa muito bacana, e por isso quero ler essa obra.

    25 de maio de 2017 às 11:03 Responder
  • Herica Lima

    Geralmente não leio esse tipo de livro. Gosto mais de romance, mas confesso que pareces er uma história bem bonita sobre a amizade dessas mulheres que vão crescendo e sobre a história de vida dela!
    Achei bem interessante!

    25 de maio de 2017 às 23:02 Responder
  • Leituras da Ketellyn

    Oi, gostei muito da resenha só não leio por que não é o tipo de livro que eu gosto, se eu tiver uma oportunidade eu leio, mas não é um que eu sairei procurando, mesmo assim obrigado pela dica

    25 de maio de 2017 às 23:26 Responder
  • suzana cariri

    Oi!
    Ainda não conhecia esse livro, mas lendo a resenha deu para ver que não é o tipo de livro que gosto de ler, porém para quem gosta parece ser uma leitura que acaba nos acrescendo, um livro bem emocional do tipo que devemos aproveitar cada momento da leitura, sem uma leitura rápida, mas sim de entendimento !!

    31 de maio de 2017 às 14:10 Responder
  • Mariana Paiva

    Já vi uma foto desse livro uma vez e nem dei muita atenção. Agora lendo a resenha isso mudou, fiquei bem curiosa e parece ser um livro bem emocional, que nos faz refletir sobre várias coisas e o fato das duas terem idades tão diferentes contribui muito para ser uma história diferente e uma amizade bem inesperada. Fiquei com vontade de ler. E espero gostar bastante.

    1 de junho de 2017 às 01:47 Responder
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