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Resenha – O que não existe mais

Publicado em 30 de janeiro de 2017
- Contos/Poesia, Nacional, Resenhas, Tordesilhas

LIVRO ESPECIALMENTE INDICADO PARA quem gosta de contos, para quem busca textos curtos e cheios de sentido, para que aprecia narrativas que falam sobre questões muito humanas, como: ausência, vida, morte, saudade, amor.

Adoro livros que falam sobre questões existenciais. E essas questões, muitas vezes tão comuns, podem ser retratadas de diversas maneiras e escritas para públicos variados. A vida, o sentido dessa vida, a morte, a repercussão desse deixar de existir, a família e seu papel na construção da nossa personalidade, o ser o que se é… Tudo isso me interessa. São temas comumente encontrado em romances, fantasias, distopias, ficções ou livros de terror. A literatura e a arte de maneira geral costumam transformar o comum em belo. 

O que não existe mais, livro de estreia de Krishna Monteiro, permite que o leitor entre em contato com diversos desses temas, distribuídos em sete contos. A principio o leitor pode imaginar que cada uma dessas histórias, por se passar em tempos distintos, com ambientações diversas e narradores muito diferentes entre si, falará cada uma
sobre um determinado assunto. De certa forma falam, mas penso que a essência de todos os contos é basicamente a mesma: a dor, a falta, a ausência, a saudade… Tudo aquilo que fica quando algo ou alguém se vai.

 

“O que não existe mais, quase sempre é, o que subsiste; aquilo cuja existência se torna praticamente insuportável para quem vive do que existe. O que não existe mais existe até demais”.

 

A unicidade da escrita, poética, sensível e cheia de significados, pode assustar o leitor acostumado a narrativas mais simples ou diretivas.  E essa escrita única atrelada à viagem existencial que o livro propõe ao leitor, mesmo que de maneira inconsciente,  transforma esse livro diminuto – no que diz respeito ao tamanho físico –  em uma obra por vezes difícil de ler. Isso porque, quem, afinal, gosta de encarar a certeza da finitude? Quem aprecia ter escancarada a dor da ausência daquele que se foi, aquela dor que a gente tenta encobrir com sorrisos nem sempre sinceros? Quem acha fácil perceber que tudo aquilo que não foi, poderia ter sido, se tivéssemos feito algo diferente? Quem acha fácil dar o último adeus, seja a alguém querido ou a si mesmo? Nem todo mundo, acredito.
 
“Sondo o ar. Estirado sobre uma maca a lhe servir de leito, ele, o corpo, ou ela, o corpo, cheira a vácuo e a ausência”.
Cada narrador alcança o leitor de alguma maneira, seja esse narrador um filho, um avô, um neto, o gato ou o galo; cada conto cumpre seu propósito de tocar o leitor – uns mais fortemente que outros – e promover um estado de introspecção reflexiva que pode tanto doer quanto ser libertadora. O que não existe mais é um livro para se ler devagar, quando o tempo não é exigente e o coração está aberto. É um livro que indico para quem não se importa em vivenciar esse tipo de imersão nos sentimentos. Para quem gosta de textos mais filosóficos e densos, mas com beleza singular.
 Se eu fosse você, largaria esta arma. Poria no chão este revólver. Lançaria por terra a fria bala de aço destinada a explodir teu crânio. E ouviria, qual uma plateia, o primeiro, o segundo e o terceiro movimento da eterna sinfonia. Da eterna sinfonia que, como um sudário, enlaça e abraça o vento.

 

Este livro foi o último que ganhei, portanto já aproveitei para incluí-lo no desafio do nosso projeto literário de leituras temáticas.

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13 Comentários

  • Kris Soares

    Não gosto desse tipo de leitura . Pra mim ela se torna por vezes sombria e pesada, por isso prefiro evitar.

    30 de janeiro de 2017 às 16:51 Responder
  • suzana cariri

    Oi!
    Ainda não conhecia esse livro, e mesmo ele não sendo o tipo de livro que gosto de ler, fiquei interessada nessa historia, achei interessante ele nos trazer vários contos, e principalmente os temas escolhidos, que parecem ser bem emocionante e com certeza nos faz refletir, me deixando curiosa para ler !!

    30 de janeiro de 2017 às 17:28 Responder
  • Helen A.Z

    Hum,autor estreante,não conhecia.
    A capa é singela,bonita em sua simplicidade.
    Gosto de leituras que abordam questões existenciais.

    30 de janeiro de 2017 às 17:54 Responder
  • Naime Martins

    Adorei essa capa, é simples e convidativa. Adoro temas assim, com questões existenciais também, faz a gente pensar e repensar em muitas coisas.
    Não conhecia esse livro, mas é sempre bom a gente ler opiniões de diversas obrar né?!
    Ótima resenha,
    Beijos!

    30 de janeiro de 2017 às 18:42 Responder
  • Mayla Lima

    Achei o tema interessantes, algo que trata de questões existenciais também chama muito minha atenção. Mesmo que não goste de poesia, e este livro apresente uma escrita mais poética, me interessei pelo livro. Ótima resenha e dica.
    Abraço!
    A Arte de Escrever

    30 de janeiro de 2017 às 19:36 Responder
  • Pamela Liu

    Oi Krisna.
    Não costumo ler livros com narrativa mais poética, pois acho um pouco cansativa/lenta.
    Mas, deve ser um bom livro para aqueles que gostam de filosofia ou de refletir sobre algumas questões da vida.

    30 de janeiro de 2017 às 21:23 Responder
  • Lana Silva

    Sempre gostei de livros com temas como esse, que nos faz refletir, e muitas vezes nos identificamos com as palavras simples, e direta. Muitas das vezes preferimos não ler, ou falar daquilo que nos machuca, a saudade daquilo que não existe mais, e acho que é exatamente isso que o livro traz para nós leitores. E a primeira vez que vejo falar dessa obra, e já estou encantada.

    31 de janeiro de 2017 às 11:06 Responder
  • Adriana Holanda Tavares

    Também sou fã desse tipo de leitura, ou de qualquer outra que de uma forma simbólica nos coloque para pensar sobre as coisas que deixamos pra lá e que são essenciais, a vida, a morte, o que já passou e não fizemos, isso tudo é um bom motivo para se escrever. WQuero ler sim, agora mais ainda sabendo que são contos!

    31 de janeiro de 2017 às 14:58 Responder
  • Rossana Batista

    Não sou muito de ler livros que sejam mais poéticos, é que as vezes não consigo sentir muito bem o que o autor quer passar, é um pouco difícil pra mim.
    Acredito que por ser um livro assim e bem profundo é uma boa dica para os que gostam desse tipo de texto.

    31 de janeiro de 2017 às 15:35 Responder
  • Alison de Jesus

    Olá, raramente leio livros assim, mas a capa e a resenha me deixou intrigado para conferir esta obra, que toca nossa alma e desafia nossa mente. Beijos.

    31 de janeiro de 2017 às 19:03 Responder
  • Cristiane de Souza

    Oi Krisna…
    Não é costume meu fazer leituras com uma narrativa mais poética, mas me encantei com essa resenha e com certeza quero ler esse livro… Gosto de leituras que trazem a tona questões existenciais e nos fazem refletir… Espero adquirir em breve esse livro… Ah, amei a capa…
    Beijinhos…

    31 de janeiro de 2017 às 20:32 Responder
  • Roberta Moraes

    Senti que esse livro é bem profundo. Vez ou outra ainda leio algo poético mas não é um gênero que estou acostumada. Fiquei com muita vontade de ler este livro. Adoro quando a gente pode sentir e refletir quando acaba o livro.

    31 de janeiro de 2017 às 22:11 Responder
  • Gêmea Má

    Oi!! A capa está linda, mas eu estou fugindo de contos mais do que o diabo da cruz hahahaha Essa parte de escrita poética tbm não fez muito pra me atrair. Sei lá, se é pra ter questão existencial eu prefiro que seja nomeio de uma fantasia ou ação ou aventura, e não no meio de contos poéticos e existencialistas, entende?? bjbj

    1 de fevereiro de 2017 às 03:52 Responder
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