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Resenha – O Ceifador

Publicado em 1 de setembro de 2017
- Distopia, Resenhas, Seguinte

LIVRO ESPECIALMENTE INDICADO PARA quem gosta de histórias com futuros que são ao mesmo tempo utópicos e distópicos, com um toque de ficção científica. Interessante para quem tem curiosidade em saber como seria viver em um mundo no qual a morte natural não existisse. Indicado para ler quando você estiver desanimado e pensando que a vida seria mais fácil se o mundo fosse um lugar perfeito, e para refletir a partir deste ponto sobre o verdadeiro significado de perfeição.

Acredito que se existe um assunto que mexe com todos nós, seres humanos, é a morte.  Pelo menos alguma vez na vida já nos perguntamos como seria melhor um mundo em que a morte não existisse. Essa é a realidade em que vivem os personagens do livro O Ceifador do autor Neal Shusterman primeiro livro da série Scythe publicado por aqui pela Editora Intrínseca. Na resenha de hoje conto para vocês como foi mergulhar neste mundo tão diferente da nossa realidade.

No mundo de O Ceifador a Nimbo-Cúmulo, um tipo de inteligência artificial resultado de um avanço computacional gigantesco, passou a reunir todo o conhecimento da humanidade e ficou incumbida de administrar todas as esferas da sociedade. A evolução aconteceu em todos os campos, não existe mais fome, doenças, guerras ou miséria. A morte foi vencida e a humanidade passou a viver em um mundo perfeito.

Mas a imortalidade trouxe um novo problema. Mesmo com todo o conhecimento da Nimbo-Cúmulo, que evitava as grandes diferenças sociais e o desperdício de alimentos, ainda era necessário criar um método de controle populacional, uma vez que ninguém mais morria e novas pessoas continuavam a nascer todos os dias. Caso nenhuma medida fosse adotada logo chegaria o momento em que a Terra não conseguiria mais abrigar todos.

Esta foi a única questão sobre a qual a Nimbo-Cúmulo não ganhou autoridade. Acreditava-se que para executá-la seria necessário senso moral já que se tratava de um ato de consciência e não havia como provar que ela tivesse essas características. Então foi criada a Ceifa que ficaria responsável por esse controle populacional que eles passaram a chamar de coleta e cabia aos ceifadores realizar essa tarefa. Eles se tornaram as figuras mais temidas e respeitadas da nova ordem social.

Não era de admirar que as pessoas fizessem de tudo para agradar os ceifadores. A esperança diante do medo é a motivação mais forte do mundo.

A campainha da casa da família de Citra Terranova toca. O terror atinge todos quando o Honorável Ceifador Faraday entra. A única pergunta que se passa na cabeça deles é quem ele veio buscar. Citra mesmo com medo não se deixa abater e enfrenta o ceifador Faraday quando ele começa a fazer muitas perguntas sobre sua família. Mas ao contrário do que era esperado ele ficou muito feliz com o comportamento dela. Ele está cansado de ser bajulado por pessoas que querem que ele lhes conceda imunidade e achou revigorante ser confrontado. Para alívio da família o ceifador se despede e parte logo depois do jantar. Na verdade ele estava ali para coletar a vizinha deles que ainda não havia chegado.

Rowan Damisch também verá seu caminho cruzar com o do ceifador Faraday. Ele chega atrasado para aula e dá de cara com o ceifador que lhe pergunta qual o caminho para a secretaria. Rowan que também está indo pra lá se oferece para acompanhá-lo. Lá chegando o ceifador pede que seja chamado Kohl Whitlock, uma das estrelas do time de futebol do colégio. Rowan tenta interceder pelo garoto, mas há nada que ele possa fazer quanto a isso. Tentando amenizar a situação ele decide ficar durante a coleta e dar apoio a Kohl. O ceifador Faraday fica admirado com sua postura.

O ceifador Faraday reúne Citra e Rowan, conta que precisa de um aprendiz e que os dois foram escolhidos para serem treinados por ele. Mas ao final do treinamento apenas um será escolhido e o outro deverá retornar para a sua vida anterior. Eles terão que competir por essa função, mas nenhum deles está realmente interessado.

— Aí está o paradoxo da profissão — Faraday disse. — A função não deve ser concedida aos que a desejam. São aqueles que mais se recusam que devem exercê-la.

Depois de muito pensar os dois aceitam participar do treinamento e se mudam para casa de Faraday. Aos poucos vão se adaptando à nova vida e ficando cada vez mais próximos. Mas uma sequência de acontecimentos estranhos fará com que Citra e Rowan terminem em lados opostos. Será que depois deste período separação eles ainda podem confiar um no outro? Será que os dois ainda perseguem o mesmo objetivo?

Fiquei completamente presa ao universo criado por Neal Shusterman. Esse foi meu primeiro contato com a escrita do autor e adorei a forma como ele construiu a narrativa. Como a história é contada em terceira pessoa conseguimos ter uma visão ampla de tudo o que está acontecendo. Como este é o primeiro livro de uma série terminei a leitura torcendo para que o próximo seja publicado o mais rápido possível. Mas ao que tudo indica a previsão de lançamento é só para o primeiro semestre de 2018.

Citra e Rowan são dois adolescente que vivem em um mundo utópico, onde não precisam se preocupar com praticamente nada. E isso aumenta aquele sentimento de angústia que já é característico da idade. Mas eles conseguem enxergar a oportunidade de construir algo depois que começam a ser treinados pelo ceifador Faraday. Ao contrário de vários ceifadores que gostam de publicidade, Faraday é muito reservado e tenta desempenhar sua função da melhor maneira sempre evitando que a pessoa coletada sofra desnecessariamente. Não poderiam ter encontrado melhor professor.

Antes, o fim da vida humana ficava nas mãos da natureza. Mas nós a roubamos. Agora temos o monopólio da morte. Somos seu único fornecedor.

A leitura de O ceifador me proporcionou muita reflexão. O primeiro pensamento que me veio à mente é que o mundo retratado no livro reproduz a realização de todos os desejos da humanidade. As pessoas não precisam mais se preocupar com a morte ou com doenças e todo o conhecimento do universo está disponível para quem desejar acessar.

Mas isto me levou a questionar, se o mundo é um lugar assim tão perfeito, se tudo é tão garantido o que motiva as pessoas que ali vivem? Imagina acordar todo dia cedo para ir para escola ou para o trabalho sabendo que nada do que você fizer mudará a sua vida, que você está apenas tentando ocupar o seu tempo. Acredito que viver assim deve ser muito frustrante. Um mundo onde nossos atos não produzem consequências não pode resultar em algo positivo.

Outro ponto que me chamou muito atenção durante a leitura foi o poder atribuído à Ceifa. Cabe a seus integrantes decidir quem vive e quem morre, e eles são seres humanos assim com as pessoas que coletam. Ou seja, o poder completo sobre a vida ficou nas mãos de um pequeno grupo. Somado a isso temos o agravante de que a Nimbus-Cúmulo não pode interferir em nenhuma ação ligada à Ceifa e aos ceifadores, mesmo que essa possa ser comprovadamente nociva. A Ceifa está acima de qualquer poder. Realmente esse não é um mundo perfeito.

Agora só me resta aguardar os próximos livros para saber os desdobramentos desta história emocionante.  Gostaria muito de saber se vocês já leram e o que acharam do universo de O ceifador, por favor deixem comentários. Espero que tenham gostado da resenha. Beijos!

 


Título: O Ceifador
Autor: Neal Shusterman
Lançamento: 2017
Editora: Seguinte
Páginas: 448
Sinopse: Primeiro mandamento: matarás. A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria… Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade. Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador – papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco.

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18 Comentários

  • Lili Aragão

    “Um mundo onde nossos atos não produzem consequências” acho que nunca parei pra pensar nessa possibilidade e isso me chamou a atenção na resenha e somado ao fato de que só ouço elogios a esse livro, estou sim super interessada em ler. Ainda não li nada do autor e a premissa da história parece super interessante, sendo uma ótima opção pra conhecê-lo. A resenha tá ótima e a só me resta tentar ler essa história em um futuro próximo.

    1 de setembro de 2017 às 13:47 Responder
    • Thaís Bueno

      Oi Lili!

      Essa leitura me fez refletir bastante, aliás esta é uma característica muito marcante de livros que envolvam temas ligados à ficção científica. Fico muito feliz que você gostou da resenha.

      Beijos,

      2 de setembro de 2017 às 11:44 Responder
  • Ludyanne Carvalho

    Cheguei pra ler a resenha com um pé atrás por conta do título, imaginei ser um livro meio assustador, e não curto muito esse gênero. Isso só confirma o quanto o preconceito nos limita… Porque ao chegar ao fim da resenha percebi que este livro é muito mais do que um título.
    Achei bacana a ideia de mostrar como é a vida de um ceifador, e a ideia da nimbo-cúmulo é bem interessante. Achei bacana perceber que eles podem ser bem mais evoluídos. Meio que até neste universo, de ceifadores, existe de certa forma o bem e o mal.
    Provavelmente não é um livro que eu vá ler (pelo menos não neste momento da vida), mas se eu tivesse deixado o pré-conceito me guiar eu não teria lido uma resenha super bem escrita e nem saberia que este livro tem muito a nos ensinar.
    Obrigada.

    1 de setembro de 2017 às 15:17 Responder
    • Thaís Bueno

      Oi Ludyanne!

      Falei um pouco sobre este tipo de preconceito na minha resenha de “Os 12 signos de Valentina”, não sei se você chegou a ler aqui no blog. Acho que isso acontece com todo leitor, mas aprendi a sempre tentar ler antes de tirar conclusões, seja pelo título ou pela capa. Podemos nos surpreender positivamente. Fico ainda mais feliz quando vocês gostam das minhas resenhas quando são de livros que não são de seus temas preferidos. Muito obrigada!

      Beijos,

      2 de setembro de 2017 às 11:49 Responder
      • Ludyanne Carvalho

        Verdade, senão nos limitamos. Vou procurar a resenha, quero mais opiniões sobre esse livro.
        Beijo

        2 de setembro de 2017 às 12:40 Responder
  • Cristiane Dornelas ➗ (@crisdornelassil)

    Adorei a ideia desse mundo da história exatamente por todas as coisas que parece fazer a gente pensar. É tipo algo pra se valorizar o ciclo da vida né? Se tudo fosse perfeito e a gente tivesse todas as respostas, nada de doenças ou morte o que não seria desse mundo? Já tá perdido do jeito que é, mas imagina se tudo fosse assim? A gente pode pensar que seria bom, mas duvido e muito disso.
    O legal da história é esse jogo de poder em meio a ilusão de perfeição. Ter ali quem escolhe se você vive ou morre…caramba, só posso imaginar. Esse treinamento dos personagens, como é a vida dos dois e as questões que enfrentam, a competição depois, o mundo sendo mostrado e como é esse universo são coisas que chamaram minha atenção e gostei. Deu vontade de ler e parece ser um livro que compensa. Agora o ruim vai ser esperar por uma continuação né?!

    2 de setembro de 2017 às 12:20 Responder
    • Thaís Bueno

      Oi Cristiane!

      Amo livros de que me façam pensar e refletir na vida como um todo. Adorei as suas reflexões e acredito que você ganharia muito lendo esse livro. Depois me conta como foi a leitura.

      Beijos,

      21 de setembro de 2017 às 14:33 Responder
  • Vanessa Grandin

    Eu li um livro com uma temática um pouco parecida de uma autora nacional e o que mais me chamou a atenção foi a questão de não existir a morte e ao final dele, pude perceber que as coisas não seriam melhores se não existisse, afinal tudo tem um propósito. Eu não tinha ouvido falar desse livro até o encontro de leitores da Editora Seguinte feita pelo blog e me interessei pela leitura logo que foi comentada a temática dele….
    A resenha fez despertar ainda mais a vontade e espero poder adquirí-lo em breve !

    4 de setembro de 2017 às 11:49 Responder
    • Thaís Bueno

      Oi Vanessa!

      Concordo que o mundo de O ceifador não seria um lugar melhor para se viver. Que bom que a resenha te deixou ainda mais curiosa sobre o livro.

      Beijos,

      5 de setembro de 2017 às 16:12 Responder
  • Pamela Mendes

    Eu estou vendo bastante gente falar desse livro e parei para pensar. Será que ser um ceifador é ruim? Será que viver a angústia de poder ser escolhida pela morte é bom?
    O enredo é muito diferente da maioria dos livros que costumo ler. Com personagens que parecem ser bem construídos e uma história super envolvente. E eu acho que vou ler esse livro e também ficar refletindo sobre esse mundo
    Com certeza vou ler esse livro, ele já está na minha listinha!
    Bjss ^^

    12 de setembro de 2017 às 23:30 Responder
    • Thaís Bueno

      Oi Pamela!

      Você apontou ótimos questionamentos. Depois me conta o que achou da leitura.

      Beijos,

      21 de setembro de 2017 às 14:34 Responder
  • Hérica Lima

    Quando lançou o livro vários blogs fizeram, resenhas e eu li vários.
    Estou adorando ler distopias, porém parece que as histórias e os desfechos são quase os mesmos.
    Adorei a trama desse livro e já quero ler em breve. Jurava que esse livro era mais assustador por causa do título, mas vi que é algo bem mais profundo.
    Beijos.

    16 de setembro de 2017 às 12:23 Responder
    • Thaís Bueno

      Oi Herica!

      Esse livro é mais uma prova de que não podemos julgar um livro pelo título ou pela capa. Também adoro distopias, essas leituras me fazem refletir muito e amo!

      Beijos,

      21 de setembro de 2017 às 14:36 Responder
  • Franciele Débora

    Adoro distopia e ainda mais saber como a sociedade está nos livros. Achei esse livro muito Black Mirror, meu Deus! Um mundo superlotado e com ceifadores escolhendo como você vai morrer ou se sobrevive. Adorei a premissa do livro e gostaria muito de lê-lo um dia.
    Agora imagina você descobrir como você vai morrer? Deus me denfedarey hahaha.
    Adorei, beijos.

    17 de setembro de 2017 às 20:36 Responder
    • Thaís Bueno

      Oi Franciele!

      Confesso que nunca assisti Black Mirror! Também amo distopias e observar a “evolução” ou não da nossa sociedade. Depois que ler vem me contar o que achou!

      Beijos,

      21 de setembro de 2017 às 14:37 Responder
  • Marta Izabel

    Oi, Thais!!
    Amei a sua resenha é essa é a primeira vez que leio uma resenha tão completa e rica de detalhes é a melhor que já li!! Esse livro já me conquistou a um bom tempo, mas é uma pena que não conseguir ler até agora!! Adoro a premissa de um mundo perfeito sem guerras e doenças, seria tudo muito perfeito, então O ceifador busca equilibrar a humanidade para que não cheguei o momento de não ter capacidade de abrigar todos no mundo. Mas o que acho a melhor parte é que eles escolhem quem vão ser mortos!! Amei a indicação e sem dúvida esse livro é fantástico e espero que o próximo livro seja lançando o mais rápido possível!!
    Bjoss

    23 de setembro de 2017 às 23:17 Responder
  • rudynalva

    Thaís!
    Já tinha lido sobre o livro e muito interessada fiquei para fazer a leitura, primeiro porque é uma ficção fantasia bem diferente das que estamos acostumadas a ler por aí e também, porque questiona a sociedade. Se tivéssemos tudo às mãos, como moradia, saúde, vida ‘eterna’, realmente a sociedade se estagnaria e não iríamos mais em busca de nossos objetivos, seria perfeito por uma parte e por outra, totalmente inadequada.
    O que me deixou mais intrigada foi por saber como é feita a triagem dos ceifadores, já mantém tanto poder…
    Desejo uma semana maravilhoso!!
    “O primeiro passo para a cura é saber qual é a doença.” (Provérbio Latino)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE SETEMBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

    24 de setembro de 2017 às 21:47 Responder
  • Isabela Carvalho

    Olá Thais 😉
    Já conhecia o livro e já li umas resenhas sobre ele, mas confesso que não parece o meu tipo de livro sabe, acho que a leitura não seria tão prazerosa assim.
    Achei legal a criatividade do autor, com relação a imortalidade e os Ceifadores, mas acheo que o livro tem informação demais, sinto que ia ficar bem confusa kkkk
    Já deixei ele anotado aqui, quem sabe no futuro eu tenha interesse em ler
    Bjos

    29 de setembro de 2017 às 19:44 Responder
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