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Resenha – O ar que ele respira

Publicado em 7 de setembro de 2016
- Record, Resenhas, Romance

LIVRO ESPECIALMENTE INDICADO PARA quem busca uma história que comove, inquieta e emociona em igual medida. É livro único, perfeito para ler naqueles momentos em que queremos algo que verdadeiramente toque nosso coração, que arranque lágrimas, suspiros e que deixe um sorriso nos lábios após a leitura.

A autora Brittainy C. Cherry é uma jovem mulher, muito simpática, e que tem o dom de estraçalhar nossos corações. Para depois colá-los de novo. Acredito que foi isso que aconteceu comigo durante a leitura deste livro.

Pela sinopse a gente já percebe que se trata de um livro carregado no drama. Mas quem leu outras obras da autora (The Space in Between, Art & Soul, Sr. Daniels, por exemplo), sabe que ela utiliza as características desse estilo literário muito bem. E é exatamente isso que acontece neste livro. Nós nos deparamos com dois protagonistas que estão vivendo um luto muito sofrido. Estão naquela espécie de limbo, onde não há felicidade e a tristeza domina. Embora eu entenda que a dor do Tristan é imensa, Elizabeth também tem uma bagagem recheada. A autora juntou dois personagens que estavam por um fio, repetindo aquele velho e incansável mantra de que ‘está tudo bem’,  quando na verdade, não, não está tudo bem.

A narrativa intercala entre o ponto de vista de Tristan e de Elizabeth. Com flashes do passado, permite que o leitor vá entendendo aos poucos tudo o que aconteceu na vida dessas duas pessoas. As pessoas que chegaram, as que partiram, as que ficaram. Permite que a gente vá compreendendo a dimensão da dor e do medo, aquele tipo de medo que tranca o coração. Aquele tipo de dor que elimina o sentido da vida. Aos poucos, a gente vai conhecendo os personagens, e se apaixonando por eles.

Nós dois juntos era uma ideia terrível. Éramos instáveis, estávamos destruídos, não havia como negar. Ele era o trovão, e eu, a nuvem escura. Estávamos a segundos de criar a tempestade perfeita.

Tristan é aquele tipo de pessoa que tem o coração lindo, que é capaz de amar e despertar o melhor nas pessoas. O tipo de homem que cuida e protege, que abraça apertado e que diz ‘estou aqui. Mas ele se esqueceu disso. Ou melhor, ele não se permite mais ser assim. Ele não se permite mais sentir nada além da dor que o consome. Não permite que nada além de pequenas doses do homem que já foi, se mostrem para o mundo. Ele se esconde por trás da barba, por trás da grama alta do jardim, por trás da grosseria e do isolamento.

Elizabeth é o tipo de pessoa que sente necessidade de viver um dia após o outro. As lembranças do marido ainda estão ali, presentes. Ainda estão ali, mostrando tudo o que poderia ter sido. E ela não se vê capaz de abrir mão dessa presença. Não se permite seguir em frente, usar o lado da cama no qual o marido dormia. Liberar o espaço dele no armário. No coração.

A alma dela estava ferida, e a minha devastada. Mas quando estávamos juntos, doía menos. Quando estávamos juntos, o passado não parecia tão doloroso. Junto dela, nunca me senti, nem por um momento, sozinho.

Essas duas pessoas se encontram. Duas pessoas quebradas, inacessíveis, desesperadas. Encontram-se e ali nasce uma amizade. Ali nasce um amor. Ali nasce esperança, para ambos. E é lindo ver isso acontecendo. Não é aquele tipo de amor irreal e instantâneo, tão comum em alguns romances que lemos por aí. O sentimento que nasce é mais intenso e mais cru, porque nasce da dor da perda. Nasce da necessidade de se manter de pé, nasce do suporte que um coração em pedaços oferece ao outro.

O sentimento vai envolvendo não somente o casal, mas todos os personagens secundários. Uma menininha de cinco anos que coleciona fotografias de plumas. Uma amiga desbocada, daquele tipo que fala e faz o que precisa (e o que não precisa). Um cachorro que demonstra ser aquele tipo companheiro de quatro patas que não abandona ninguém, independente do momento.

Não somente os personagens secundários, que são fantásticos, que se veem envolvidos pela história e por tudo o que ela desperta. O leitor também se envolve. Aliás, principalmente o leitor, que chora, que sorri, que se emociona. Que vivencia tantos sentimentos que é impossível não se inquietar com a leitura.

Embora eu tenha me encantado com o livro, confesso que achei uma parte da trama um pouco forçada. Quem ler e chegar lá perto do final, quando começar a compreender o encaixe das peças no quebra cabeças, vai saber sobre o que estou falando. Mesmo assim, considero este um livro muito bom. O ar que ele respira apresenta uma narrativa envolvente, emocionante, muitas vezes divertida. É sofrida também, mas o resultado final é do tipo que nos arranca suspiros de felicidade.

Nós dois estávamos em mundos separados, feitos de nossas pequenas recordações, e, ainda assim, conseguíamos sentir a dor um do outro. A solidão reconhecia a solidão.

A escrita é muito clara e simples, características da autora, e isso permite ao leitor uma leitura rápida, daquele tipo em que passamos horas a fio sempre em busca de mais um capítulo. A edição do livro está singela, porém bonita. Apresenta fonte e gramatura do papel confortáveis a leitura, e isso é mais um ponto positivo. A capa está linda e se manteve igual à versão americana. E no final do livro tem um dos agradecimentos mais bonitinhos que já vi. Quem puder, leia os agradecimentos. Leia e sinta a fofura da autora. E quem puder, quem quiser, leia o livro. Leia e sinta toda a inquietude que ele é capaz de despertar.

O ar que ele respira é o primeiro livro da série Elements. O segundo foi lançado nos EUA este ano, e se chama The Fire Between High & Lo. O terceiro livro da série, com previsão de lançamento lá fora ainda para 2016 , se chama The Silent Waters.


Livro: O ar que ele respira
Autora: Brittainy C. Cherry
Lançamento: 2016
Editora: Record
Páginas: 308
Sinopse: Como superar a dor de uma perda irreparável? Elizabeth está tentando seguir em frente. Depois da morte do marido e de ter passado um ano na casa da mãe, ela decide voltar a seu antigo lar e enfrentar as lembranças de seu casamento feliz com Steven. Porém, ao retornar à pequena Meadows Creek, ela se depara com um novo vizinho, Tristan Cole. Grosseiro, solitário, o olhar sempre agressivo e triste, ele parece fugir do passado. Mas Elizabeth logo descobre que, por trás do ser intratável, há um homem devastado pela morte das pessoas que mais amava. Elizabeth tenta se aproximar dele, mas Tristan tenta de todas as formas impedir que ela entre em sua vida. Em seu coração despedaçado parece não haver espaço para um novo começo. Ou talvez sim.

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5 Comentários

  • Karolyne Oliveira

    Amei real esse livro. Realmente a Brittainy tem o poder de reduzir nosso coração à migalhas. E a gente ainda sorri depois. Já tô ansiosa pelo restante da série.

    7 de setembro de 2016 às 10:51 Responder
    • Krisna Carvalho

      Karol, obrigada pelo comentário!

      Você viu que a capa do terceiro saiu? Quando eu fiz a resenha, ela ainda não tinha sido divulgada, achei tão linda…

      Beijo

      8 de setembro de 2016 às 18:34 Responder
    • Karolyne Oliveira

      Vi! Torcendo pra.que sejam todas mantidas aqui! BJ :*

      10 de setembro de 2016 às 13:19 Responder
    • Karolyne Oliveira

      Vi! Torcendo pra.que sejam todas mantidas aqui! BJ :*

      10 de setembro de 2016 às 13:19 Responder
  • Maria Clara

    Muito interessante esse livro..Louca pra ler !!

    13 de fevereiro de 2017 às 14:50 Responder
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