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Resenha – A guerra que salvou minha vida

Publicado em 17 de maio de 2017
- DarkSide, Editoras, Infanto Juvenil, Resenhas

LIVRO ESPECIALMENTE INDICADO PARA quem gosta de narrativas com crianças como protagonistas, para quem curte uma história que fala sobre dificuldades da vida e superação. Para ler naqueles momentos em que buscamos uma obra que seja capaz de tocar e aquecer o coração.

E aí pessoal, tudo bem com vocês? A dica de hoje é sobre um livro que me deixou bem emocional, que me faz parar para refletir mais de uma vez sobre a minha infância e como sou grata por ter tido a oportunidade de aproveita-la, além da sorte de viver cercada por pessoas que me amam.

A guerra que salvou a minha vida é aquela leitura que gostaria de ter feito quando tinha meus 13 anos e tê-la feito mais uma vez na fase adulta, acho que teria sido incrível comparar as minhas perspectivas de antes e agora. Meu eu de 13 anos, leu Anne Frank, na época o livro teve um grande impacto em mim, lembro que me ajudou a viver cada dia mais intensamente e passar por problemas na escola.

Hoje, depois de ter lido este livro, os resultados não foram tão diferentes da leitura de Anne Frank. Porém, agora, ao invés de me ajudar a passar por problemas na escola me fez pôr em perspectiva meus problemas de adulta e minha forma de agir nas situações do dia a dia.
De cara o que mais me chamou atenção no livro foi a capa e sua edição maravilhosa, ambos estão arrasadores, dá vontade de comprar o livro só por esses motivos.  Essas características não são nada incomuns nos livros da DarkSide, eles sempre fazem um trabalho fantástico na produção dos livros, vale a pena cada centavo que pagamos.
Além da capa e a edição, o que me atraiu também foi o título já que não vemos frequentemente a palavra guerra sendo associada a algo bom, certo? E A guerra que salvou a minha vida, é exatamente sobre essa combinação. Como a vida da nossa protagonista mudou para melhor, depois que uma das guerras mais terríveis explodiu no mundo.

Durante a Segunda Guerra Mundial o governo de várias cidades na Europa, pediu aos pais que mandassem seus filhos para os campos, com intuito de protegê-los dos ataques aéreos, isso valia tanto para cidadãos mais ricos aos mais pobres. Geralmente, as pessoas que recebiam essas crianças no campo, no caso da família não ter nenhum parente pela região, eram pagas para cuidar delas durante um tempo. Muito dos pais tinham medo de deixar seus filhos nas mãos de estranhos ou não tinham condições de arcar com a despesa. É durante a evacuação das crianças de Londres aos campos, que Ada nossa protagonista, vê a oportunidade de fugir dos abusos psicológicos e físicos que sofre nas mãos da mãe.

Ada tem um irmãozinho mais novo e o ama mais que tudo, é única coisa em sua vida que a mantém firme. Jamie vive tudo o que a própria Ada gostaria e poderia estar vivendo, mas que não é permitida pela crueldade e preconceito da mãe. Ada nasceu com o pé torto e ao invés de ser tratado logo que nasceu, a mãe preferiu não ter esse gasto com a filha. Desde que aprendeu a se arrastar pelos cantos, Ada aprendeu a se virar sozinha, sem precisar da ajuda de ninguém para fazer as coisas por ela, e apesar de ser capaz de sair de casa e poder estudar como qualquer outra criança, nada disso é permitido a ela.

Minha casa era uma prisão, eu mal suportava o calor, o silêncio e o vazio

O que mais me surpreendeu na protagonista é que apesar de ter 10 anos, Ada é uma pessoa extremamente madura e centrada, mesmo com tudo que a cerca e todos os abusos que sofre. É uma mocinha que inspira força e determinação, além de ser persistente em não deixar as piores coisas a afetarem. Mas claro, apesar de tentar não se abater com as coisas que são jogadas nela, Ada é apenas uma criança, e acaba acreditando ser realmente tudo o que mãe acha que ela é, uma inútil que não vale nada. Como qualquer outra pessoa, sendo ela criança ou não, Ada tem medos e inseguranças, e apesar de toda sua determinação, os abusos da mãe penetram sua mente e a fazem acreditar ser algo que ela realmente não é.
Então, quando a oportunidadede fugir de casa com a evacuação surge para Ada e seu irmão, ela não pensa duas vezes em pegar o trem e ser levada para onde quer que seja ou para quem quer que seja.
A Sra. Smith é quem irá tomar conta dos irmãos no interior, e apesar de no início ser uma situação em que ela se ver imposta a cumprir, Susan acaba se apaixonando pelas crianças e criando um vínculo com elas mais forte do que aquele que a mãe biológica delas tem com os filhos. Susan realmente ama as crianças e as querem em sua vida.
É difícil assistir Ada tão relutante em confiar e se permitir amar qualquer outra pessoa, que não o irmão dela. Ela nunca conheceu o amor ou afeto então não sabe como distingui-lo ou demonstra-lo. Meus olhos encheram de lágrimas vendo Ada crescendo e florescendo, começando a ter uma visão melhor de si mesma, aprendendo a si amar e a amar outras pessoas.

Era como se eu tivesse nascido ali na vila. Como se tivesse nascido com os dois pés bons. Como se fosse realmente importante e amada.

Ao terminar a leitura minha impressão é que a guerra afinal, não salvou apenas a vida de Ada, mas também a vida de Jamie e da própria Susan, que até o dia em que recebeu as crianças vivia amargurada pelo passado.
 A Guerra que salvou a minha vida é um livro curtinho, mas cheio de lições para dar, abordando temas profundos e importantes. É uma leitura que todos deveriam se dar um tempinho e ler. Com certeza passarei para minha filha quando ela tiver idade o suficiente para entender o que está lendo, e espero que como Anne Frank me ajudou, Ada também a ajude a crescer.

Um novo e desconhecido sentimento me preencheu. Parecia o mar, a luz do sol, os cavalos. Parecia amor. Vasculhei minhas ideias e encontrei o nome. Felicidade.

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10 Comentários

  • Lili Aragão

    Oi Gabi, amei a resenha do livro, que não conhecia e fiquei com vontade de ter na estante, a história aprece ser preciosa e já criei uma ternura por Ada e Jamie e até Susan, que é quem vai ajudá-los e vice – versa 🙂 Quando eu vejo o nome guerra na capa dos livros, já imagino que a história tenha atrocidades, seja de cortar o coração e carregada de dramas reais e pelo que li essa história é um pouquinho diferente e espero que ela tenha um final feliz 😉

    17 de maio de 2017 às 18:42 Responder
  • Cristiane Dornelas

    Gostei muito do jeito dessa história pelo foco na Segunda Guerra. Acho legal quando um livro tem alguma coisa relacionada com aqueles tempos, um pano de fundo e coisa e tal. Mas adorei essa garotinha também. A Ada parece forte para sua idade, ela entende as coisas e mesmo tendo suas inseguranças é bonito ver como o amor de outra pessoa, o carinho e o cuidado ajudam-na a florescer. Acho que a história é linda por isso, por mostrar como o amor pode fazer diferença na vida dessas crianças mesmo quando tudo parece tão ruim.
    Gostaria muito de ler ^^

    17 de maio de 2017 às 19:48 Responder
  • Isabela Carvalho

    Nossa Gabi, me deixou emocionada!
    Amo esses livros da Darkside de capa dura *-*
    Adoro demais livros com a temática da Segunda Guerra Mundial, e esse já tinha colocado na lista de leitura!
    Deve ser difícil ler um livro em que uma protagonista tão nova assim passa por tanto sofrimento!
    Bjs

    17 de maio de 2017 às 20:41 Responder
  • Caroline Garcia

    A edição está um capricho mesmo! A editora sempre arrasa <3
    E em relação a história, me parece ser uma leitura profunda, envolvente e com um aprendizado e tanto né?
    Gosto de ler tudo relacionado a guerra e sinto que vou gostar dessa obra.
    A personagem principal, apesar de novinha, me parece ser bem madura mesmo e curto personagens assim.
    Espero conferir em breve esse livro.
    Beijos,
    Caroline Garcia

    18 de maio de 2017 às 01:17 Responder
  • Lana Silva

    A respeito desse livro, essa foi a primeira resenha que li e me surpreendi em todos os sentidos, pois não imaginava que a estória tivesse essa carga emocional tão grande, e que a personagem passou por coisas absurdas, principalmente a forma como era tratada pela mãe. Mesmo assim conseguiu fugir, e apesar do receio de acreditar que outra pessoa pudesse lhe dar amor, conseguiu super esses momentos e florescer. Pretendo com certeza ler essa obra, e me apaixonar por essa estória.

    18 de maio de 2017 às 11:25 Responder
  • Herica Lima

    Sou apaixonada por temas relacionados A Segunda Guerra!
    Super doida para ler esse livro. A capa é linda. Como sempre DarkSide arrasa no físico dos livros!
    Quero ver a narrativa da obra, sendo a personagem uma pessoa mais nova!

    19 de maio de 2017 às 02:02 Responder
  • Aichha Carolina Pereira

    Oi Gabriella,
    Fiquei emocionada com a sua resenha <3 me passou tanta emoção! Eu adoro livros que se passam em tempos de guerra, neles sempre existem tantas lições. Foi um tempo tão difícil e muitas pessoas passaram por situações terríveis.
    Adorei a história deste livro.
    pretendo ler!
    beijos

    19 de maio de 2017 às 18:26 Responder
  • Leituras da Ketellyn

    Adorei essa edição, infelizmente o livro não me chamou a atenção, apesar da sua ótima resenha eu não pretendo ler.
    Adorei a capa e a edição parece estar perfeita, um excelente trabalho da editora.

    20 de maio de 2017 às 00:56 Responder
  • suzana cariri

    Oi!
    Quando vi essa capa o livro me conquistou, mas foi só ler a sinopse para querer ler esse livro, lendo a resenha gostei muito da historia, pela parece ser profunda e linda todo esse cuidado da Ada com o irmão e esse vinculo que ela forma com a Susan e como uma vai ajudando a outro, esse livro está na minha lista de leitura !!

    31 de maio de 2017 às 14:34 Responder
  • Mariana Paiva

    Você leu Anne Frank bem nova, que legal. Eu nunca li, mas sei que o livro tem ótimos ensinamentos. A Guerra que Salvo Minha Vida é um dos livros que eu quero ler nesse ano. Adoro livros narrado por crianças, já me deixam emotiva naturalmente, imagina se passando num cenário tão complicado? Vou parecer uma chorona, mas preciso dizer que só de ler a resenha já fiquei com os olhos cheio d'água. Adorei essa passagem “ Um novo e desconhecido sentimento me preencheu. Parecia o mar, a luz do sol, os cavalos. Parecia amor. Vasculhei minhas ideias e encontrei o nome. Felicidade.”, muito linda.

    1 de junho de 2017 às 01:35 Responder
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