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Resenha – F*ck Love

Publicado em 23 de agosto de 2017
- Editoras, Faro Editorial, New Adult, Resenhas

LIVRO ESPECIALMENTE INDICADO PARA quem gosta uma narrativa irônica e divertida, mas ao mesmo tempo angustiante e com alta carga dramática. Para ler naqueles momentos em que buscamos uma história que é muito humana e real, e que por conta disso desperta no leitor sentimentos distintos e complexos. É Tarryn Fisher, quem conhece seu trabalho sabe do que ela é capaz.

Olá, pessoal! A resenha de hoje é sobre este livro que mexeu MUITO comigo. Aliás, mexer com quem lê suas obras, colocar a pessoa para sofrer e se angustiar durante toda a narrativa é uma característica que descobri na escrita da Tarryn Fisher. Ela começa como quem não quer nada, desenvolvendo a história como se estivesse conversando com amigos. Sabem aquele tipo de momento no qual nos sentimos tão em segurança que revelamos nossos maiores medos e alegrias? É isso que ela faz. Deixa o leitor pensar que está vivendo um momento assim, na companhia de amigos, confortável e tranquilo, até que tudo muda e de repente nos vemos num emaranhado de confusão, dor, amor, medo e sem saber o que fazer com tudo isso. Definitivamente a gente não lê Tarryn,  a gente faz um intensivo sobre a vida – com seu lado bom e ruim bem ali ao alcance das mãos.

O livro começa de maneira inusitada, no primeiro capítulo já enlaça o leitor e desperta uma curiosidade que chega a incomodar. Nós, assim como a protagonista Helena, somos levados a pensar em diversas possibilidades diferentes para nossa vida. Mas o que fazer quando a realidade vai na contramão de tudo aquilo que imaginamos? O que fazer quando nossa ideia de felicidade está intrinsecamente ligada à tristeza ou infelicidade daqueles que amamos? O que é o amor, afinal, e de que maneira ele pode nos fazer seguir em frente ou virar nossa existência do avesso? Esse é o nível dos questionamentos propostos pela autora logo no começo desta narrativa. E já adianto, fica pior.

Algumas vezes, o seu inimigo será você mesmo; outras vezes, serão aqueles com poder para feri-lo. Tire seus calçados e pare de correr. Com os pés descalços no chão, lute pelo que deseja.

Helena levava uma vida tranquila, estava concluindo uma graduação no curso que considerava adequado para sua vida, há tempos namorava um cara que, aparentemente, era tudo aquilo que ela imaginava desejar e apesar de se sentir incomodada em muitos momentos, mantinha uma forte amizade com Della. A vida seguia seu fluxo comum e, por que não dizer, muitas vezes entediante e seguro; até que Kit entra na jogada. Ele é o namorado de Della, o cara misterioso e calado que jamais havia despertado qualquer tipo de interesse em Helena… Até que isso muda. E agora? Aos poucos dali vai nascendo uma amizade, que se transforma em amor, que depois muda para dor e em determinado momento é tudo isso junto e mais um pouco. Confuso? Sim, demais.

A relação platônica que se estabelece entre Kit e Helena só não incomoda mais do que o relacionamento abusivo que ela mantém com Della; uma jovem mimada, egoísta e que durante a trama vai se mostrando cada vez mais manipuladora e insensível. Pode ser que eu tenha me sentido assim com relação à ela por causa do meu apreço por Helena? É provável. Mas é ainda mais possível que essa melhor amiga tenha sido retratada desta forma porque, na vida real, a gente encontra muitas Dellas por aí. Aquele tipo de pessoa que amamos mesmo conhecendo seus defeitos, e da qual permanecemos perto por achar que a parte boa supera a parte ruim. Talvez Helena pensasse isso de Kit também, até o momento que se dá conta que permanecer por perto daquilo que lhe causa sofrimento é, no mínimo, se autoflagelar. Então ela decide mudar de cidade.

Sou o que sou. É impressionante o poder que a melancolia tem de nos desintegrar. E para evitar que tudo desapareça de uma vez, você tem que se recriar.

A partir deste momento a trama que era ambientada na ensolarada Flórida se transfere para a úmida e um pouco melancólica Washington.  Tentando refazer a vida distante de tudo aquilo que lhe inquieta o coração, Helena passa a estudar e investir naquilo que desperta sua curiosidade e atenção, e seu processo de compreensão de si mesma e cura para o coração partido começa. Mas daí a vida acontece de novo, e a protagonista mais uma vez se coloca na posição de pensar primeiro nos outros… O que muitos de nós têm tendência a fazer. Daí vem a pergunta que me fiz durante quase todo o livro: até que ponto isso vale a pena? Se pormenorizar para não causar sofrimento no outro. Se doar porque o outro precisa, mesmo que isso signifique ver sua própria existência escorrendo por entre os dedos. Quem faz isso, afinal? Helena faz. Ou melhor, Tarryn Fisher faz isso com seus personagens, que nos encantam, nos cativam, ao mesmo tempo em que despertam em nós um desejo homicida sem tamanho.

Eu quis matar Della em vários momentos. Quando percebi que ela abusava da boa vontade de Helena e da amizade que existia entre elas, mas confesso que em determinados momentos eu quis colocá-la no colo e dizer que ia ficar tudo bem. Eu quis matar Kit quando ele se mostrou um covarde egoísta, mas em boa parte do livro eu quis um Kit para mim; com a voz mansa e o olhar observador que só não era capaz de desbancar o sorriso meio de lado. Eu quis matar Helena também, uma das protagonistas mais malucas, irônicas e desconcertantes que conheci. Isso porque doía em mim toda a empatia que ela sentia, esmagava meu coração imaginar a dor que ela guardava e me deixou aos pedaços perceber que ela era capaz de colocar tudo isso de lado, e mergulhar numa situação ainda pior, só para não ver quem ama sofrendo. Neste livro, durante quase toda a história, eu de fato odiei o amor. Maldito fuck love.

Não se aborreça se a felicidade não for uma constante na sua vida. Se a nossa vida pudesse ser representada pela página de um livro, a felicidade seria a pontuação do texto. Ela interrompe partes que são longas demais, e divide outras para lhes dar ritmo. Mas ela é breve – aparece quando é necessário, e enche de pausas os parágrafos mais cansativos

No fim das contas não há o que dizer sobre esta obra que não seja o seguinte: sua leitura é na verdade uma imersão em toda a dor e alegria que o ser humano é capaz de guardar no peito. E através de passado e presente, sonho e realidade, felicidade e tristeza, amor e ódio e tantos outros sentimentos e situações antagônicas a gente embarca em uma narrativa que prende o leitor do início ao fim.  Se aliarmos isso ao fato de termos em mãos uma edição primorosa feita pela Faro Editorial – com qualidade superior e diagramação tão bem trabalhada que está se tornando um diferencial enorme da editora – é fácil afirmar que esta obra é imperdível para qualquer leitor, principalmente para aqueles que gostam de SENTIR a história ao invés de somente lê-la.

– Deixe as pessoas saberem exatamente quem você é, e depois elas que engulam isso com casca e tudo.


Livro: F*ck Love
Autora: Tarryn Fisher
Lançamento: 2017
Editora: Faro Editorial
Páginas: 288
Sinopse: Helena Conway se apaixonou. Contra sua vontade. Perdidamente. Mas não sem motivo.Kit Isley é o oposto dela desencanado, espontâneo, alguém diferente de todos os homens que conheceu. Ele parece o seu complemento. Poderia ser tão perfeito… se Kit não fosse o namorado da sua melhor amiga. Helena deve desafiar seu coração, fazer a coisa certa e pensar nos outros. Mas ela não o faz… Tentar se afastar da pessoa amada é como tentar se afogar. Você decide fugir da vida, pulando na água, mas vai contra a natureza não buscar o ar. Seu corpo clama por oxigênio sua mente insiste que você precisa de ar. Então você acaba subindo à superfície, arfando, incapaz de negar a si mesma essa necessidade básica de ar. De amor. De desejo ardente. Você pode pensar que já viu histórias parecidas, mas nunca tão genuínas como essa. Tarryn, a escritora apaixonada por personagens reais, heroínas imperfeitas, mais uma vez entrega algo forte, pulsante, que nos faz sofrer mas também nos vicia. Depois dela, todas as outras histórias começam a parecer como contos de fadas. Se você não quer se viciar, não leia a primeira página.


 

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13 Comentários

  • Cristiane Dornelas ➗ (@crisdornelassil)

    Já vi muita coisa legal dessa autora mesmo e ela parece que escreve pra mexer com a gente, brinca com nossos sentimentos ao mesmo tempo que faz pensar. Achei isso legal.
    E o louco desse livro é o quanto pode irritar e emocionar ao mesmo tempo. Parece que a gente fica com vontade de esganar um mesmo xD
    Mas também acaba sentindo as angustias e medos dos personagens de uma forma que faz você odiar pela injustiça que parecem passar….não sei, mas acho que iria fiar numa montanha russa com essa história e se for boa assim, de fazer a gente sentir tanto, deve valer muito a pena. Espero conseguir ler também ^^

    23 de agosto de 2017 às 11:47 Responder
    • Krisna

      Cris, leia tudo dela, MENOS Never never. Não sei qual foi a loucura mas duas autoras fantásticas conseguiram estragar uma história. Não me conformo.

      23 de agosto de 2017 às 15:02 Responder
  • Isabelle Ribeiro Ferreira

    Meu Deussss!! Que resenha fantástica! Já tinha lido sobre o lançamento do livro e tinha uma breve noção do que a Tarryn poderia fazer! Essa mulher tem o dom da escrita! Através das suas histórias somos levados a fazer uma análise e até uma comparação de várias situações que já vivemos! Amo demais!
    Acho que iria gostar bastante da Helena… Mas quanto a amiga dela, sabemos que pessoas assim são mais comuns na nossa vida do que imaginamos! Ansiosa demais pra ler!!
    Amei a resenha Kris!

    23 de agosto de 2017 às 14:59 Responder
    • Krisna

      Isa, obrigada ❤
      Leia sim, acho que você tem tudo pra amar essa história 😉

      23 de agosto de 2017 às 15:03 Responder
  • Ludyanne Carvalho

    Conheci um pouco da escrita da Tarryn através da parceria que ela fez com Coho (Diva Master); quando vi este livro, fiquei interessada mas nem tanto… Até agora.
    Ainda não tinha lido nenhuma resenha sobre, e amei essa resenha. Saber que este livro nos desperta tantas emoções, tanta intensidade. Aaah, já quero!
    Já gostei da Helena, e quero conhecer melhor esse misterioso Kit.
    E o que falar dessa capa?
    Maldito fuck love…
    Beijos

    23 de agosto de 2017 às 15:42 Responder
  • Lili Aragão

    Oi Krisna, ainda não li nada dessa autora mas gostei de saber que ela mexe com emoções, ainda assim tenho que confessar que tenho dúvidas sobre essa história, esse lance de namorado da amiga, por mais que a amiga seja chata não me agrada muito e tenho medo de pegar birra é de Helena haha. Mas curti a resenha, é uma história diferente e pode ser que no futuro eu arrisque 😉

    23 de agosto de 2017 às 16:53 Responder
  • Hérica Lima

    Como eu adoro um bom romance dramático e irônico!
    Nunca li nada da autora, porém tem cada vez mais pessoas falando sobre esse livro e estou ficando cada vez mais curiosa também.
    Amo histórias reais, sobre pessoas normais que passam por isso. Desejar o namorado da amiga, amizade abusiva e tudo isso faz com que o leitor se aproxime cada vez mais da história.
    Vou ler com certeza.

    24 de agosto de 2017 às 11:49 Responder
  • Alison de Jesus

    Olá, a autora consegue abordar os sentimentos humanos na sua forma mais pura, denunciando questões de abuso e outros temas. Sem dúvidas pra quem busca uma leitura forte e com personagens com os quais é possível se identificar, a obra é perfeita. Beijos.

    24 de agosto de 2017 às 18:26 Responder
  • Bruna Bento

    nossa, pela capa eu jurava que era romance erótico, ja ia passar batido! haha
    gostei desse plot de relacionamento abusivo com amigos, saiu um pouco do obvio, achei interessante. nao é um livro que eu sairia correndo pra comprar, mas se surgisse nas minhas maos por acaso, daria uma chance!

    25 de agosto de 2017 às 23:04 Responder
  • Pamela Mendes

    Eu estou doida por esse livro!! Desde que eu vi ele nos lançamentos já fiquei com vontade de ler ele. Eu gosto muito dos livros da autora, acho a narrativa dela ótima! E pelo jeito vou gostar muito desse livro. Acho a história dele muito interessante, e pelo jeito é o tipo de livro que eu vou devorar desde o começo. E já percebi também que vou ter uma relação de amor e ódio com esses personagens kkkkk
    Com certeza vou ler ele, estou só esperando ele ficar um pouco mais barato para comprar =D
    Bjss ^^

    26 de agosto de 2017 às 01:01 Responder
  • Marta Izabel

    Oi, Krisna!!
    Pelo que vi esse livro mexe muito com os nossos sentimos!! Os personagens são aqueles que em um momento estamos amando e na folha seguinte estamos odiando!! A premissa em si e muito legal e sem dúvida e uma estória que cativa é muito nós leitores!! E o que dizer da capa desse livro?!! Um arraso!!
    Bjoss

    31 de agosto de 2017 às 00:44 Responder
  • Isabela Carvalho

    Olá Krisna 😉
    Já li o livro F*ck Love há certo tempo em inglês, e apesar de não conhecer a autora antes, adorei a escrita da Tarryn.
    Gostei do livro sim, a narrativa é boa e a história é envolvente, mas infelizmente não gostei tanto quanto pensei que gostaria ao ler a premissa.
    Gosto muito de livros New Adult, é realmente é um livro bem diferente do que eu estou acostumada a ler sobre o gênero, então adorei por isso.
    A obra trouxe para mim essa descoberta pessoal da Helena, e vemos o amadurecimento dela ao longo do livro, mas não gostei de algumas atitudes dela e nem de algumas do Kit (sem falar na doida da Della), e acho que só por isso que não gostei mais do livro.
    Mas espero comprar minha cópia em português e reler o livro 😉
    Bjos

    31 de agosto de 2017 às 18:31 Responder
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