Siga nossas redes:

Resenha – Crianças Dinamarquesas

Publicado em 3 de maio de 2017
- Fontanar, Não Ficção, Resenhas

LIVRO ESPECIALMENTE INDICADO PARA quem está em busca de uma obra cheia de fundamentação teórica, um livro de não – ficção que mostra uma perspectiva diferente sobre o que significa educar crianças. Ideal para aqueles momentos em que buscamos olhar situações que nos são comuns utilizando uma visão diferente da que estamos acostumadas.

A resenha de hoje será sobre um gênero de livro que geralmente não leio muito, porém esse em especial me chamou a atenção por vários motivos.
 
 
O que pouca gente sabe, é que além de ser formada em publicidade, casada e uma fanática por livros, também estou prestes a ser mãe. Como não poderia ser diferente tudo que aborda esse tema está tendo certo apelo para mim. Fora as milhares de coisas sobre esse novo e estranho mundo da gestação que venho aprendendo nesses 7 meses, alguns livros sobre criação também estão fazendo sua magia.
Quem diria que existem tantas teorias, métodos, especulação e até mesmo lendas, que mostram as melhores formas de como criar seus filhos. Mas será que realmente existe uma forma que seja mais adequada que a outra? Talvez os esforços e a busca pela criação perfeita nos faça esquecer certos detalhes indispensáveis na criação de qualquer pessoa. Detalhes que não deveriam sequer ser detalhes, mas sim prioridades na vida de todos, valores de humanidade, generosidade, opressão zero, integridade, socialização… coisas que todos os pais deveriam passar para seus filhos, mas que acabam esquecendo ou deixando para ensinar quando já é tarde demais.

“Este não é um livro a respeito do modo de vida dinamarquês ou um manifesto político. É uma teoria sobre a criação dos filhos, que acreditamos representar um dos principais fatores para a liderança absoluta dos rankings de felicidade por esse país. Crianças felizes se tornam adultos felizes, que criam crianças felizes, e assim por diante. ”

É justamente o que as autoras Jessica e Iben irão abordar em Crianças Dinamarquesas. Americanas e casadas com dinamarqueses, as amigas perceberam que a maneira como seus maridos foram educados e a forma como elas próprias foram educadas eram bem distintas uma das outras. Não que os pais delas não houvessem passado os princípios que consideravam certos, mas notaram que o funcionamento de uma família dinamarquesa e a forma como eles educam seus filhos produziam resultados fantásticos. E que não é preciso de muito para colher esses frutos, na verdade o que faltou na educação delas e o que falta na educação de muita gente hoje em dia são certos valores que estão sendo deixados para trás, mas que ainda são cultivados e preservados na Dinamarca, que foi eleita coincidentemente ou não, a população mais feliz do mundo pela OECD (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). Talvez precisamos ser um pouco mais dinamarqueses para que as coisas no nosso país funcionem melhor, certo? Essa forma de educar dos Dinamarqueses está injetada no sangue deles, não é algo que aprenderam de uns tempos para cá, e sim uma herança dos seus ancestrais, que passaram seus valores de geração a geração.

“Às vezes esquecemos que “criar”, assim como “amar”, é um verbo. Esforço e dedicação são necessários na obtenção de um retorno positivo. ”

“Desenvolver a autoconsciência e a tomada de decisões refletidas em relação ao processo de ação e reação é o primeiro passo na direção de uma mudança de vida radical. ”

Não sei se tenho talento para ser mãe, mas prometo à minha filha todos os dias que irei me esforçar para ser uma pessoa melhor e assim passar para ela os valores que considero importantes para a formação do seu caráter.  Claro que tenho a noção de que criar outro ser humano exige prática, paciência, força de vontade e autoconsciência, nada muito fácil de ser no dia a dia, mas creio que no final das contas valerá a pena.
Sequei esse livro o máximo que pude, e algumas coisas provavelmente ficarão comigo para sempre, como aconteceu com um conceito bem interessante que os dinamarqueses cultivam, o hygge. Hygge é uma palavra que existe apenas na Dinamarca, mas que deveria existir e ser praticada em todo o mundo, eu com certeza vou levá-la comigo. Hygge é um tipo especial de socialização, diz respeito a viver intensamente o momento com sua família, não precisa ter reunião com a família toda, todos os dias, não é isso. Mas quando toda a sua família está reunida, ou quando estão você, seu marido e seus filhos reunidos no final de semana por exemplo, sem toda a correria e obrigação do dia a dia nas costas, saber aproveitar esse momento ao máximo, e para que isso realmente funcione até mesmo impor certas regras vale.
Acho que tudo isso que falei já sabemos, né? O difícil mesmo é pôr todas essas coisas em prática e mantê-las. Acho que o desafio de qualquer mãe de primeira viagem ou até mesmo mães com filhos crescidos, é identificar se sua forma de educar é a certa. Afinal, quem não quer escutar que sim, de fato, está fazendo tudo certo? Acho que independente da fase que seu filho está, sempre é bom persistir e tentar ser uma pessoa melhor para poder passar essa imagem para eles. Claro que reconhecer nossa configuração padrão e nos enxergar antes de passar todos esses valores é bem difícil, mas nada é impossível, certo?

“Existe melhor presente para seus filhos, e para os filhos deles, do que ajudá-los a ser adultos mais felizes, confiantes e resilientes? Acreditamos que não. ”

Terminei o livro com sensação de esperança e com pensamentos positivos de que posso sim ser uma boa mãe, mesmo que não tenha o talento nato para ser uma, que na verdade tudo depende de mim e do meu marido, de como podemos enxergar nossos defeitos e melhorá-los para educar nossos filhos da melhor forma possível.  O que permaneceu também, nas últimas páginas da leitura, é que a jornada que vem por aí não será nada fácil, mas com os pés no chão e com a cabeça no lugar as chances de sucesso são grandes. Posso estar sendo uma otimista cabeça de vento? Talvez alguns pensem assim, mas fico feliz em me conhecer bem o suficiente e ter a certeza que na verdade sou uma otimista realista.
Espero que tenham curtido a resenha, e que apesar de ter zero experiência em educação de crianças, vocês entendam que tudo o que escrevi são minhas aspirações e esperanças de poder ser eu mesma e ainda assim uma boa mãe.

 Livro: Crianças Dinamarquesas
Autoras: Jessica Joelle e Iben D. Sandahl
Lançamento: 2014
Editora: Fontanar
Páginas: 142
Sinopse: Por mais de quarenta anos, a população da Dinamarca tem sido eleita a mais feliz do mundo pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OECD). Os dinamarqueses também foram
considerados o povo mais feliz do mundo por todas as edições do Relatório Mundial da Felicidade, publicado pelas Nações Unidas. Qual seria, então, a fórmula desse sucesso? Depois de muita pesquisa, as autoras deste livro acreditam ter desvendado o segredo. E a resposta é bastante simples: toda essa felicidade vem da forma como os
dinamarqueses são criados. A filosofia dinamarquesa de como educar os filhos gera resultados poderosos: crianças felizes, emocionalmente seguras e resilientes, que se tornam também adultos felizes, emocionalmente seguros e resilientes, e que reproduzem esse estilo de criação quando têm seus próprios filhos. Que tal, então, conhecer melhor
esses costumes, atitudes e posturas? O método exige prática, paciência, força de vontade e autoconsciência, mas o resultado faz o esforço valer a pena. Não se esqueça de que esse será seu legado

Você também poderá gostar de

12 Comentários

  • Lili Aragão

    Oi Gabriella, primeiro parabéns pela gestação, desejo tudo de bom pra você e sua família 😉
    Sobre o livro acho que tudo que pudermos ler e que vier agregar valores positivos pra passarmos aos nossos filhos é super válido, ainda não sou mãe mas achei a premissa do livro muito interessante e não sabia que os dinamarqueses haviam sido citados como a população mais feliz do mundo, fiquei até com vontade de ir pra lá conhecer os segredos, mas acho que vou ter que me contentar em ler esse livro em uma oportunidade próxima rsrs…

    3 de maio de 2017 às 17:43 Responder
  • Aichha Carolina Pereira

    Gabriella parabéns pela gestação! Que venha com muita saúde e que traga muitas alegrias pra sua família! Com certeza será uma boa mãe viu!?
    Muito legal quando as mães procuram informações, como sabemos informação nunca é demais! E realmente muitas vezes o que falta é a paciência e o amor na hora de educar um filho.
    Beijos

    ps: surtei nessas canecas <3

    3 de maio de 2017 às 19:44 Responder
  • Cristiane Dornelas

    Esse não sei se leria, mas acho que pode ser uma ótima dica pra quem está pra ser mãe ou tem crianças pequenas e sabe a luta que vai ser pra criar da melhor forma possível. Achei interessante pela coisa dos Dinamarqueses, que fala um pouco de como eles fazem isso e a cultura, o que aprenderam com os pais e etc. Gosto quando relatam alguma coisa de outros países, de como fazem alguma coisa, a cultura e etc. E esse é um assunto que não vejo muito sobre.
    Mas não é pra mim no momento. Como disse, acho que é uma boa dica pra quem é mãe ou vai entrar nessa fase.
    Só posso desejar boa sorte nessa sua jornada!

    3 de maio de 2017 às 22:54 Responder
  • Ludyanne Carvalho

    O que sinto neste instante é uma vontade imensa de mudar para Dinamarca; quem sabe não encontro um Dinamarquês leitor por lá. Haha
    Curti bastante a resenha, e concordo que a perda dos valores está afetando nosso crescimento de uma forma inexplicável. Que possamos recuperá-los…

    P.S. Parabéns, Gabi! Que sua bebê venha com muita saúde, que encha a sua vida e da sua família de luz e amor. E que seja uma menina apaixonada por leitura.
    Uma boa hora! Beijos…

    4 de maio de 2017 às 00:46 Responder
  • Caroline Garcia

    Acho que todas as mães tem esse pensamento né? Dar o máximo de si para os filhos.
    É uma luta diária educar um filho!!!
    Esse livro não faz meu estilo de leitura, mas fiquei com uma certa curiosidade em relação a ele.
    O tema é bem interessante! E parece ser uma leitura bacana.
    E parabéns pela gestação <3
    Beijos,
    Caroline Garcia

    5 de maio de 2017 às 20:20 Responder
  • Lana Silva

    Acredito que nenhuma mulher nasci para ser mãe, a maternidade ao meu ver não e algo nato, muitas coisas iram influenciar esse novo cotidiano com um bebê, e claro que algumas terão mais facilidade e outras não, porém como mesma citou ser mãe não e uma formula existe altos e baixos, e muitos mais muitos imprevistos, ainda mais quando e o primeiro filho. Ainda não sou mãe, no entanto ainda sim esse livro conseguiu me chamar a atenção por seu conteúdo que me fez refletir.

    6 de maio de 2017 às 11:06 Responder
  • Herica Lima

    Acho que nenhum mulher sabe como lidar na primeira gestação!
    Parabéns por ela.
    Acho que devemos ler e pesquisar bastante, mas só na pratica mesmo para sabermos. Todos os dias vai ser um desafio e devemos saber que um filho é uma benção.

    7 de maio de 2017 às 00:59 Responder
  • Isabela Carvalho

    Parabéns Gabriella!
    Não posso imaginar o que é esse amor inimaginável que as mães sentem por seus filhos, mas acho lindo histórias como essas!
    É muito legal ler livros que te dão "sensação de esperança e com pensamentos positivos", como você disse, ainda mais em horas como essa, para relaxar.
    Boa sorte e que o bebê venha venha cheio de saúde!!!

    7 de maio de 2017 às 23:26 Responder
  • suzana cariri

    Oi, parabéns pela gestação, muito saúde, felicidade, nem consigo imaginar o que você está passado, mas com certeza é um momento muito especial !
    Ainda não conhecia esse livro e não é muito o tipo de livro que gosto de ler, mas tem algo nele que parece nos encantar, achei bem interessante todo esse contexto e fiquei curiosa para saber mais sobre como seria essa cultura dinamarquesa !!

    9 de maio de 2017 às 14:38 Responder
  • Priscila Tavares

    Oi Gabriella!
    Primeiramente, parabéns! Que Deus te abençoe e te guie nesse novo capítulo da sua vida.
    Confesso que no começo da resenha fiquei com o pé a atrás sobre esse livro porque não parecia o tipo de leitura que me interessaria. Mas aí você começou a falar sobre as diferenças na criação das pessoas e como isso reflete diretamente em como elas agirão na sociedade. Eu imagino que a diferença seja gritante porque acompanho algumas pessoas australianas e certos detalhes – que não deveriam ser detalhes como você mesma disse – possuem alguns hábitos que não deveriam ser estranhos para nós.
    Apesar de não ser mãe e nem pretender ser ainda, fiquei com vontade de ler o livro. Adorei a resenha.
    Beijokas
    Quanto Mais Livros Melhor

    14 de maio de 2017 às 03:01 Responder
  • Leituras da Ketellyn

    Que capa mais fofa, mas infelizmente o livro em si não chamou a minha atenção pois não é tipo que eu costumo ler.

    20 de maio de 2017 às 02:20 Responder
  • Mariana Paiva

    Antes de tudo, parabéns pela gestação. Nem consigo imaginar o quanto deve estar sendo especial pra você a vida nesse momento. Tenho muita vontade de ler livros assim, acho bem importante. E não conhecia esse, já anotei aqui pra não esquecer mais. Adorei a passagem "Crianças felizes se tornam adultos felizes, que criam crianças felizes, e assim por diante." é uma grande verdade. Torço para que tudo dê certo pra você nessa nova fase.

    31 de maio de 2017 às 15:08 Responder
  • Deixe uma resposta