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Resenha – Amor Amargo

Publicado em 14 de janeiro de 2017
- Sem classificação

Livro: Amor
Amargo
Autora: Jennifer
Brown
Lançamento: 2015
Editora: Gutenberg
Páginas: 288
Classificação do
Skoob:
 4,3
Onde comprar: Amazon | Livraria Cultura
*Livro do acervo
pessoal
Amor
Amargo
esteve na minha lista de desejados desde que a Gutenberg lançou por
aqui. O tema, relacionamento abusivo, costuma render histórias muito tristes e
emocionantes. Tudo o que li que tratava do assunto foi capaz de me sensibilizar,
tocar o coração, despertar em mim muita empatia. Com essa expectativa comecei a
leitura.

Esse
foi meu primeiro contato com a obra da autora. A Lista Negra, seu outro livro
de sucesso por aqui, ainda não chegou na minha estante. Não sabia exatamente o
que esperar da escrita, mas esperava demais do livro mesmo assim. Confesso:
fiquei um pouco frustrada. Vou tentar explicar o porquê.
Amor
amargo conta a história de Alex, uma adolescente que perdeu a mãe muito cedo.
Não só o fato de crescer sem a figura materna, mas as circunstâncias da morte
dessa mãe deixaram a protagonista com muitas questões precisando de respostas. Além
disso, Alex tem um pai afetivamente ausente e irmãs que parecem não sentir
tanta falta assim de ter uma mãe por perto. Fora da família, Alex conta com
dois melhores amigos, Bethany e Zach. Eles se conhecem desde a infância e passaram por muitas
coisas juntos. Partilham momentos especiais, uma lealdade muito forte e planos
para o futuro. Tudo se encaminha relativamente bem, até que Cole surge na
história.

Um
garoto bonito, transferido de outra escola – a novidade do pedaço. Atleta,
descolado, gentil, logo se torna o centro das atenções, inclusive de Alex. Eles
se aproximam e em determinado momento um sentimento maior surge entre eles. A
relação começa e parece um paraíso. Até que se transforma no inferno.
Agressões
físicas. Agressões emocionais e psicológicas. Cole é o tipo de agressor do qual
se pode esperar tudo, inclusive pedir perdão e jurar que foi acidente, que não
vai mais acontecer. Mas acontece. E acontece de novo. E mais uma vez.  E era nessa hora, talvez antes até, que eu
esperava estar completamente envolvida com Alex. Nesse momento eu esperava
estar tão comovida que minha vontade seria de segurar na mão da personagem e
dizer, ‘vamos lá, te ajudo. Você não está sozinha’. Empatia, sabe? É o que
costumo sentir nesse tipo de leitura, me torno capaz de me colocar no lugar do
outro e sentir sua dor. Tenho vontade de acolher, fico injuriada. Mas aqui, não
rolou. Mesmo eu percebendo que ela estava indo de encontro ao perigo, mesmo
sabendo que ela era a vítima ali. Mesmo tendo consciência de que ela estava
sendo manipulada e que precisava de ajuda. Não rolou.

“Percebi que era por isso que eu tinha ficado com
ele mesmo quando as coisas não estavam bem. Era por isso que alguns hematomas
não importavam. Porque ele me entendia como ninguém jamais havia entendido
antes. Porque éramos perfeitos um para o outro”. 

 
Não
consegui me conectar com os personagens. Só gostei de dois, o melhor amigo da
protagonista e uma senhora que trabalha com ela. Todos os personagens
apresentam potencial para deixar sua marca positiva, mas todos me fizeram criar
antipatia e desprezo. O pai emocionalmente ausente que beira a negligência. A
irmã mais velha que só se mostra legal lá pelas tantas. Uma melhor amiga
estranha que ora parece amiga de fato, ora parece simples conhecida. Entre
outros personagens, que nem vale a pena citar. Mas principalmente Alex. Mesmo
sabendo tudo que ela passou, mesmo ficando chocada em algumas cenas,
mesmo entendendo o comportamento dela, não consegui de forma alguma me
conectar. A história não me fisgou a ponto de entrar no coração, ficou somente
na superfície. 

“Saia de casa nesse estado, falei para mim mesma,
e você terá que dar explicações. E você está preparada para isso? Não? Era o
que eu imaginava”.

No
fim das contas, indico o livro. Ele chama a atenção de muitos, e como arte de
maneira geral sua apreciação é muito subjetiva, pois é capaz de despertar sentimentos diferentes em pessoas diferentes.
Eu posso não ter gostando tanto assim porque não consegui me conectar com a
protagonista, o que não quer dizer que outros leitores terão uma experiência
semelhante. O tema é forte, vale muito a pena ser discutido, e só o fato de
colocar o leitor para pensar em possibilidades já vale a leitura.

“E, por mais sombrio que fosse o mundo atrás das
pálpebras, nem de longe parecia tão sombrio quanto o mundo com o qual me
depararia se voltasse a abri-las”.
A
edição da Editora Gutenberg está simples, porém bonita, com uma diagramação que
não deixa nada a desejar. Não encontrei grandes erros que tenham saltado aos
olhos, e a tradução do Guilherme Meyer está maravilhosa. Um ótimo exemplar para
presentear quem gosta do estilo, uma opção de leitura que pode ser forte e
abalar leitores mais sensíveis. 

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15 Comentários

  • Adriana Holanda Tavares

    O tema abordado é bem atual, apesar de desde os primórdios da humanidade a violência contra a mulher ser presente na sociedade. Realmente, ver pela narrativa em primeira pessoa os motivos da protagonista aceitar se submeter a um relacionamento do tipo pode nos ajudar a tentar compreender porque tantas garotas e mulheres continuam em relacionamentos abusivos. É fácil julgar por fora, achar que são tolas e iludidas, mas nada é assim tão simples. Vemos sempre casos assim pela na janela, nunca entrando pela porta de casa ou ao menos, torço para que não.

    14 de janeiro de 2017 às 22:58 Responder
  • Rossana Batista

    É um livro realmente com um tema bem difícil de ser discutido. Até hoje eu não conhecia ainda o livro mas fiquei bem curiosa.
    É uma pena que você não tenha se conectado com a protagonista, mas é bom mesmo indicar para que outros leiam porque pode funcionar com o outro.
    Espero poder ter a oportunidade de ler esse livro.

    15 de janeiro de 2017 às 15:14 Responder
  • Pamela Liu

    Oi Krisna.
    Eu li A lista negra e gostei da trama e da escrita da autora.
    Que pena que os personagens não te cativaram. É difícil se envolver na leitura quando não sentimos aquela empatia ou ligação com os personagens.
    Amor amargo aborda um tema difícil, mas que está cada vez mais presente na mídia e acho importante que o tema seja discutido.
    Não sei se leria o livro. Não está entre as minhas prioridades no momento.

    16 de janeiro de 2017 às 04:39 Responder
  • Naime Martins

    Esse livro está na minha lista tem tempo e quero muito ler parar tirar minhas próprias conclusões. É um tema muito atual e que muitas mulheres vivem, infelizmente.
    É bem complicado quando os personagens não cativam a gente na história, já aconteceu comigo também, talvez é coisa do momento.
    Adorei a resenha!
    Beijos.

    16 de janeiro de 2017 às 11:54 Responder
  • Lana Silva

    Conheci esse livro através do lista negra da mesma autora, e percebendo as muitas recomendações, resolvi ler resenhas e a sinopse e notei que apesar do livro aborda um tema polêmico, e complicado, a história ainda sim consegue ser envolvente, quero muito saber o que vai acontecer com os personagens e qual será o desenrolar dessa situação. Estou com altas expectativas em relação a essa leitura.

    16 de janeiro de 2017 às 15:33 Responder
  • Alison de Jesus

    Olá, que pena que o livro não superou suas expectativas, mas pelo menos a história foi bem construída e o assunto foi abordado de forma cautelosa mas direta. Beijos.

    16 de janeiro de 2017 às 20:21 Responder
  • Roberta Moraes

    Gosto de livros que tratem de temas difíceis, é sempre uma oportunidade de poder discutir o tema. Eu não li nada da autora ainda e começar por esse livro vai ser ótimo para me identificar ou não com a escrita da autora. Uma pena que os protagonista não te encantaram. Espero que para mim possa ser diferente mesmo.

    17 de janeiro de 2017 às 02:46 Responder
  • Kris Soares

    Ainda não li nada dessa autora, mais gostou do tema, forte e sempre atual, já prevejo que vou sofrer muito com essa leitura.

    18 de janeiro de 2017 às 11:51 Responder
  • Gêmea Má

    Poxa, miga.

    Em geral eu vejo o povo comentando que esse livro é muito emocionante (e não é pra menos), então é uma pena q pra vc não tenha rolado essa conexão.
    Eu gosto muito de livros que trazem esses temas fortes e que em geral são tabus, para que abra os olhos de muita gente.
    Ele é um desejado desde a primeira vez q li a sinopse.

    bjbj

    21 de janeiro de 2017 às 02:26 Responder
  • suzana cariri

    Oi!
    Quando vi esse livro fiquei interessada para poder ler, principalmente pelo tema que a autora trata, me deixando curiosa para ver como ela trabalha esse tema, mas li alguns resenha desse livro e vi que não é o tipo de leitura que irei gostar, mas uma pena que você não conseguiu se conectar com a personagem, realmente quando lemos a historia de algum e não conseguimos nos envolver, acaba faltando algo ao longo da leitura !!

    27 de janeiro de 2017 às 15:14 Responder
  • Helen A.Z

    Já li A Lista Negra,e tenho vontade de ler Amor Amargo.
    A sinopse com o tema de relacionamentos abusivos chama minha atenção.Tenho grandes expectativas pra ele.Pela resenha há alguns pontos negativos na leitura,quando não há conexão com os personagens é complicado.

    29 de janeiro de 2017 às 19:38 Responder
  • Cristiane de Souza

    Oi Krisna…
    Sempre que o tema de um livro ou filme é um relacionamento abusivo, acaba mexendo muito com nossas emoções e sentimentos… Pretendo ler esse livro em algum momento…
    Beijinhos…

    30 de janeiro de 2017 às 03:52 Responder
  • Thaynara ribeiro

    Gostei da resenha. Tenho um pé atrás com histórias tristes e então fico meia receosa, já que não gosto de dramas exagerados. Livros com abuso são sempre mais pesados e abalam o psicológico. Gostei da capa e das fotografias

    30 de janeiro de 2017 às 10:33 Responder
  • Mayla Lima

    Eu gostei do tema, violência contra mulher, relacionamento abusivos é um tema que merece muito destaque e tudo que fale sobre ele merece atenção. Pena que você não conseguiu se conectar com a personagem, que o livro não conseguiu te tocar. Gostei da dica, e apesar dos pontos negativos fiquei com vontade de conferir.
    Abraço!
    A Arte de Escrever

    30 de janeiro de 2017 às 17:51 Responder
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