Siga nossas redes:

Resenha – Além da Magia

Publicado em 13 de dezembro de 2017
- Editoras, Fantasia, Universo dos Livros

LIVRO ESPECIALMENTE INDICADO a leitores que querem ser surpreendidos por doçura e leveza e renovação num mundo (e em livros) em que há muito sangue, desolação e tristeza. Além da Magia é para se ler sozinho, com os filhos, os primos, para adultos e crianças, para negros e brancos e amarelos e para qualquer crença. Recomendado para quem quer uma brisa de ar fresco e deseja se apaixonar por histórias simples, mas cheias de significados.

Cor é, por definição, a impressão produzida no olho pela luz, segundo a sua própria natureza ou a maneira pela qual se difunde nos objetos. É a aparência dos corpos segundo o modo como refletem ou absorvem a luz. Cor é o que enxergamos e como enxergamos, dependendo de quanta luz é espalhada e de como deixamos que ela nos afete.

É, de certa forma, pura física. E, de certa forma, pura subjetividade.

Porque o que você vê depende de você, depende da luz, depende do momento e depende de como você está. Um dia cinza pode ser um dia lindo para alguns e depressivo para outros. Branco pode ser vazio, inexistência de cores, ou o conjunto de todas elas. Uma cor pode ser verde para mim e azul para você, e os sentimentos que ela me desperta podem ser totalmente divergentes dos seus. Cores são arco-íris de possibilidades, uma aquarela de chances infinitas de se colorir, se enxergar, de se conhecer cada escura e clara cor que reside em nosso ser.

Portanto, imaginem-se num mundo em que a cor é absolutamente importante. Tá bom, eu sei que não é tão diferente do mundo em que vivemos em que as cores, mais especificamente o branco, é supervalorizado, mas neste mundo você tem de ser colorido para ser… normal. Em Além da Magia é assim: todos são coloridos e nós, por intermédio de Alice, nascemos sem cor alguma (ou com todas as cores numa só, dependendo da quantidade de luz que você enxerga na vida e na personagem) – temos apenas um castanho nos olhos e um rubor nas bochechas.

“Todo mundo nasce com cores,” Alice disse com cuidado. “As minhas estão simplesmente contidas aqui dentro.”

Ferenwood é o nome desse mundo cheio de cores, e é onde mora Alice e sua família. Ferenwood é um lugar em que as coisas certas e cheias de sentido são mais importantes que a magia, um mundo tão lindo e rico e colorido que, segundo nossa protagonista e a narradora Tahereh Mafi, quando criado, o céu chorou por cem anos. Lágrimas de grande alegria e tristeza molharam a terra, rachando-a e partindo-a e, no processo, criando rios e lagos e oceanos que ainda existem nos dias de hoje. Havia alegria pela beleza, mas grande tristeza também – tristeza porque ninguém estava por perto para apreciar a grandiosidade de tudo aquilo. Sendo assim, enquanto a história continuava, o povo de Ferenwood nasceu das lágrimas que molharam a terra e fizeram-nos crescer até a existência. Ferenwood é um lugar perfeito para todos que moram lá, mas, para Alice, falta uma coisa. Alguém.

Seu pai, que desaparecera.

E por mais que ela ame sua terra, a busca pela pessoa mais colorida do pequeno universo matizado de Alice a leva para um lugar diferente. E é aí que conhecemos Furthermore, um mundo completamente diferente de Ferenwood. Furthermore é um mundo de sentidos, do ilógico, de enxergar as coisas por outra ótica, de ver as cores por outra perspectiva.

Em Furthermore você dorme pelo sonho e come pelo gosto.

Os detalhes são muitos e os acontecimentos nesta aventura são extraordinários, contudo não contarei muita coisa, já que não quero diminuir seu brilho, independente de como você enxergue as coisas, e tampouco quero focar muito nesta viagem maravilhosa por terras desconhecidas. Quero focar no esplendor de Alice e de Oliver e de tantos outros personagens com que Tahereh nos presenteou.

Este livro pode ser destinado a crianças, já que é middle-grade e Alice tem doze anos. Pode ser visto como menos interessante, principalmente pelos leitores que são fãs de Estilhaça-Me, já que tem uma pegada conto de fadas, mas é, em minha opinião, um livro que deveria ser lido por todos. Tahereh, junto e por meio de Alice, quebra preconceitos e paradigmas. Tahereh, de modo belo e pungente de emoções, pisa nos seus e meus conceitos com tal suavidade e intensidade que você se verá apaixonado por Furthermore antes mesmo da página 30.

Porque Alice é diferente de todos em seu mundo. Porque Alice é incolor num mundo completamente pintado. Porque Alice é invisível e, ao mesmo tempo, visível demais. E eu – você, todos nós – me sinto assim, vez ou outra, sempre e às vezes. E ela, assim como nós, quer ser o oposto do que é.

Ela frequentemente quer se plantar de volta na terra e ver se ela cresce como algo melhor desta vez, talvez um dente-de-leão ou um carvalho ou uma noz que ninguém pudesse localizar. Mas a Mãe insistiu (do jeito que ela faz muitas vezes) que Alice deve ser uma garota, então ela era.

Porque Alice se vê, com luz ou sem luz e do jeito que só seus olhos podem enxergar, como mais do que um nada sem cor. Ela se vê um TUDO cheio de cores interiores, cheio de qualidades que, se as pessoas reparassem, com ou sem luz, com ou sem cor, notariam que ela é maravilhosa.

De qualquer forma, não era que ela precisasse que alguém gostasse dela.
Era só que ela já gostava tanto de si mesma e se achava tão interessante (e inteligente e criativa e legal e engraçada e amigável e autêntica) que ela realmente não conseguia entender por que não era mais fácil para ela se misturar.

Porque Alice não gosta de ilusões e de dosar sua realidade. Ela gosta de ver as coisas como elas são. E ela é extremamente passional, repleta de amor e de amar suas verdades, até mesmo as mais dolorosas. Porque Alice é corajosa e sabe que, no escuro, na ausência de luz e de olhares, somos todos iguais. Coloridos ou pálidos, somos todos iguais.

Você provavelmente já viu pinturas, desenhos e fotos que lhe tiraram o ar – por serem belas, reflexivas, ou por lançarem você numa espiral introspectiva de tal forma que, naquele momento, você virou parte da obra, assim como ela virou parte de você. As formas ficam-lhe na cabeça, assim como as cores, as pinceladas incessantes, o jogo de luz e a vida retratada de modo real de um jeito tão profundamente rico pelo criador que, cada pessoa que vê a arte, sente e pensa e visualiza algo diferente, mas intrínseco, próprio do espectador e de quem fez aquela incrível obra.

É uma troca, criador x observador, que resulta numa sensação única e genuína, singela e abastada de epifania: porque ali, naquele milissegundo, você pode descobrir algo sobre si mesmo que nunca teve a chance de vislumbrar antes.

E Além da Magia é um livro que você absorve coisas dele na mesma proporção que ele absorve de você. É uma obra que foi pintada de forma bela e envolvente para que nós aceitemos (e amemos, ouso dizer) todo e qualquer aspecto e forma do desenho ora colorido, ora preto e branco que somos nós. É uma troca sua com a Tahereh Mafi. Porque, como toda obra de arte que se preze, Alice (e Além da Magia, e eu, e VOCÊ, acredite!) é única e genuína e singela e cheia de epifanias.

E, durante essa façanha, Alice se descobre perfeita exatamente do jeito que é. Assim como eu e você e todos nós temos de descobrir também. Assim como eu e você somos – só precisamos modificar nosso jeito de enxergar as coisas. Porque talvez a luz esteja refletindo de mais na sua cor, talvez esteja de menos. Talvez você não esteja absorvendo direito as cores que lhe brilham a alma. E talvez, um grande e sincero e certeiro talvez, uma viagem até Furthermore seja tudo o que você necessite fazer.

Por que não?


Título: Além da Magia
Autora: Tahereh Mafi
Lançamento: 2017
Editora: Universo dos Livros
Páginas: 368
Sinopse: Há apenas três coisas importantes para Alice Alexis Queensmeadow, de 12 anos: sua mãe, que não sentiria sua falta; magia e cor, os quais parem escapar dela; e seu pai, que sempre a amou. No dia em que seu pai desapareceu de Ferenwood, ele levava consigo apenas uma régua. Já se passaram quase três anos e Alice está determinada a encontrá-lo. Ela o ama tanto quanto ama aventura, e está prestes a embarcar em um para encontrar o outro.

No entanto, trazer seu pai para casa não será tão fácil. Alice precisa viajar através da mística e perigosa Terra de Furthermore; onde para baixo pode ser para cima, papel está vivo e esquerda pode ser direita. Sua única companhia é um garoto chamado Oliver, cuja habilidade mágica é mentir e enganar – e com um mentiroso em uma terra onde nada é o que parece ser, requisitará de Alice toda sua concentração para encontrar seu pai e conseguir voltar para casa sã e salva. Em sua jornada, Alice precisa se encontrar- e se agarrar à magia do amor diante da perda.

Você também poderá gostar de

6 Comentários

  • Ludyanne Carvalho

    Meta para 2018: Conhecer a escrita da Tahereh através de Além da magia.

    Sinto que preciso muito fazer uma viagem por Furthemore, necessito aprender com Alice e a enxergar todas as cores que há no mundo e no meu ser.
    E enxergo cores nessa resenha; cores em tons pastéis, delicadas assim como essa escrita. 👏👏

    E eu vi a capa da sequência, e estou apaixonada por ela.
    Amei a resenha!

    Beijos

    13 de dezembro de 2017 às 21:55 Responder
  • Lili Aragão

    Ainda não tive a oportunidade de ler nada dessa autora, mas as resenhas são sempre positivas de seus livros e tenho ficado cada vez mais interessada em conhecer suas histórias. Essa em especial parece ser bem mágica e curti demais toda a resenha falando das cores, o mundo criado pela autora me encantou só lendo a resenha e imagino que ler o livro seja muito bom. A edição, em capa dura né?! das fotos está muito linda e essa capa é fofa <3

    14 de dezembro de 2017 às 10:03 Responder
  • Giovanna Talamini

    Achei tão bonitinha a forma como escreveu a indicação!
    Livros deste tipo me despertam realmente uma certa magia, parece ser um amorzinho.

    Bom final de semana!

    17 de dezembro de 2017 às 21:31 Responder
  • Carolina Venceslau

    Eu confesso que a princípio eu fiquei bem receosa com essa leitura mas dizem que ia desenrolar da trama é impressionante e história é bem fluída e deliciosa de se lê prometo que vou dar uma chance a leitura

    23 de dezembro de 2017 às 15:55 Responder
  • Ycaro Santana

    Conhecia esse livro, pois sou mega fã da autora com a série Estilhaça-me. Adorei suas impressões e, mesmo não sendo um livro perfeito até a última página, como qualquer outro, senti que é um livro importante, por tratar de temas complexos. Espero que a oportunidade de ler surja em breve.

    28 de dezembro de 2017 às 17:20 Responder
  • Cristiane de Souza

    Oi Layla…
    Que resenha maravilhosa… Ainda não conheço a escrita da autora, mas Além da Magia parece ser um livro leve e com uma leitura cativante… Um daqueles livros que nos ajudam a sair de uma ressaca literária… Com certeza quero ler esse livro e conhecer de perto as aventuras de Alice e ‘viver suas cores’…
    Beijinhos…

    28 de dezembro de 2017 às 22:26 Responder
  • Deixe uma resposta