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Para Ficar de Olho – Illuminae

Publicado em 25 de setembro de 2017
- Em Inglês, Fantasia, Ficção Científica, Para ficar de olho, Resenhas

LIVRO ESPECIALMENTE INDICADO àqueles que gostam de universos futuristas e ficção científica com uma boa dose de humor, suspense, romance e emoções afloradas. É uma leitura perfeita para qualquer momento: é extremamente viciante, fluida e tem uma edição de arrasar; é o primeiro volume de uma trilogia com dois livros já lançados, portanto, é uma ótima recomendação para os amantes dessas sequências.

Humanidade.

Humanidade é, segundo o dicionário, a natureza humana e o conjunto de características que são particulares a essa forma de ser. Raiva, amor, tristeza, inveja, alegria, crueldade – tudo isso faz parte do que e de quem somos. É benevolência, uma forma bondosa de tratar aos outros e, por fim, é a reunião de todos os seres humanos – o que, numericamente falando, é aproximadamente seis bilhões de pessoas. Os sinônimos sugeridos para humanidade são clemência, compaixão, mundo e beneficência. Os antônimos? Malevolência e inumanidade.

E nós amaldiçoamos a humanidade diariamente. Quem nunca questionou por que ela faz o que faz, aonde ela vai parar, ou então por que ela está tão perdida? Quem nunca ouviu algo semelhante, se não idêntico? Quem nunca os proferiu ou os pensou depois de uma notícia difícil de engolir, depois de um discurso absurdo de um presidente racista e sexista eleito pelo povo, depois de uma manchete assustadora do jornal?

Quem nunca observou as ações da humanidade, ações essas que vão desde matar animais selvagens em seus habitats com grandes armas de fogo e tirar fotos para se vangloriar por tal feito até liberar da prisão um homem acusado por inúmeros estupros e dizer que, no caso mais recente em que ele assediou a vítima no transporte público, não houve constrangimento, e pensou que ela era injusta? Que a humanidade era cega, egoísta, ignorante, odiável, de dar nojo, de dar pena?

Tudo o que ela temia já se tornou verdade. Alucinações simplesmente não conseguem superar a realidade.

Entretanto, é curioso. É extremamente curioso como apontamos os erros da humanidade dia após outro, em cada pequena e grande situação, e destilamos e criticamos características que, querendo ou não, são nossas. Afinal, nós – todos nós – somos humanos, portanto a humanidade é a nossa natureza. Se pensamos que a humanidade é cega, egoísta, ignorante, odiável, que ela não tem mais jeito, que está perdida, que não pode piorar… o que isso diz sobre nós mesmos?

Se você questiona a humanidade, como não questionar a si mesmo, já que faz parte dela?

O universo não te deve nada, Kady. Ele já te deu todas as coisas, afinal. Ele estava aqui bem antes de você, e ele vai continuar aqui depois de você. O único jeito de ele lembrar de você é  você fazer alguma coisa digna de lembrança.

Aparentemente, nossa natureza humana não se prende a fronteiras – nem a mundos diferentes. Illuminae é um livro cheio de humanos, humanos com muita humanidade, se posso assim dizer. Lembra de todas aquelas características citadas no começo da resenha? Todas elas são frequentes e intensas, por mais desenvolvidas que a tecnologia e a robótica sejam.

E este não é o tipo normal de livro, aquele em que os protagonistas têm seus pontos de vista em primeira pessoa ou em terceira, em que estamos dentro da mente deles ou de um narrador onisciente. Illuminae acompanha a trajetória de dois protagonistas, Kade e Ezra, que se conheciam e namoravam antes mesmo da história começar. E a leitura relata tudo o que passaram, as conversas e emails e ligações – mas tudo isso é feito por um conjunto de arquivos.

O ponto é, eu não tinha ideia de quão segura eu estava, porque eu nunca deixei de estar segura. Ezra disse isso para mim, uma vez. Ele estava certo. Eu tomei tudo por garantido. A constante e confortável música de fundo estática do universo.

Descrições de arquivos de áudio, de vídeo, relatórios, registros de emails, de chats – o livro é composto por isso. Só isso… ou tudo isso. Temi lê-lo quando soube que ele era assim. Tive medo da leitura ser chata, de não (des)envolver; estranhei sua singularidade, já que nunca tinha lido nada assim e fiquei tentada com o que seu jeito inovador propunha.

Num primeiro contato com Illimunae, fiquei admirada com a edição. É simplesmente única. Com desenhos, arquivos que diferem um dos outros, páginas completamente negras que refletem o universo ou o completo vazio com letras grandes e brancas e contrastantes.  Quando comecei a ler, fiquei surpresa com quão bem humorado ele é. Apesar de tudo o que estava acontecendo (o que era muito, na verdade. Logo de cara – e sem spoilers – uma colônia humana estava sendo invadida e atacada, e nossos protagonistas estão sendo entrevistados para saber como eles conseguiram escapar) me vi rindo com os diálogos presentes nos arquivos, nas falas dos personagens, na dinâmica que eles tinham.

Não pude evitar ficar confusa também, é claro, com a chuva de termos high-tech que aos poucos vão sendo explicados e com a quantidade de reviravoltas que o livro tem. Quer dizer, eu mal me recuperava da reviravolta que acabara de ocorrer e outra já acontecia, devastando teorias e explicações e construindo tensão e ansiedade.

Sou atingida por uma percepção: um computador executará um desembarque ou aterrissagem com toda a graça de uma pessoa. É apenas para o combate – apenas para a arte da ruína – que essas naves ainda têm os bancos para os pilotos. Há alguma coisa na humanidade que a torna mais adequada às mecânicas do assassinato do que qualquer máquina já inventada.
Exceto eu?
< ERRO >
Mas o que faço não é assassinato.
É misericórdia.

Contudo, o que verdadeiramente me surpreendeu é que este livro teve um jeito de esmigalhar uma visão que eu tinha de nós – da humanidade. A história se passa em 2575, muito a frente do tempo em que vivemos. Eu, de algum modo, achei que depois de tanto tempo os humanos estariam mudados. Não seriam movidos por grandes corporações, por dinheiro, ou por egoísmo. É uma visão um tanto inocente, você pode argumentar, mas era o que eu pensava – pensava, porque, depois de Illuminae, depois de uma leitura com quinhentos anos de diferença do que vivemos agora mas com tanto em comum, com tanta característica humana, com tanta humanidade e personagens intensamente humanos, vi que não importa o tempo ou o lugar, se há humanos, haverá a implacável e imprevisível humanidade.

Illuminae é um livro excentricamente humano. Este fato se mostrou presente mesmo que a leitura se passe no universo, mesmo que os nomes das naves e suas funções e armamentos sejam de um esplendor que mal posso contemplar, mesmo que tenha computadores e máquinas difíceis de imaginar e inteligências artificiais de pôr medo. Cada pequeno e grande arquivo é abastado de toque humano, de emoções e experiências e atos e causas e escolhas humanas.

Dois minutos lá fora é tudo o que você precisa para aprender quão pouco você sabe sobre tudo. Você é uma partícula de carbono e água com cerca de sete centímetros de cerâmica de categoria balística entre você e o absoluto nada. Noventa e três bilhões anos-luz de porra nenhuma. Nada abaixo. Nada acima. Sem céu. Sem chão. Só escuridão sem fim com pequenas lanças de luz solar mais velhas que você e sua espécie inteira somados do começo ao fim. Você quer se sentir pequeno? Passe sessenta segundos na cabine do piloto de um Cyclone, amigo. Olhe para o nada e sinta-o olhando de volta para você. Então você sabe exatamente o quanto pode significar.

Ezra, nosso protagonista e piloto, é cheio de humanidade. Kady, nossa protagonista e hacker, é cheia de humanidade. Os porquês dessa história são cheios de humanidade, o que a torna linda e feia e implacável e imprevisível.

Com guerra espacial, doenças devastadoras, teorias da conspiração, armamento e naves da pesada, inteligências artificiais admiráveis e personagens tão bem criados e cativantes, Illuminae é humano da primeira à última página, e fará você questionar e batalhar e desgostar e amar cada pingo de humanidade que há em seu corpo.

 

 


Título: Illuminae

Autor: Amie Kaufman e Jay Kristoff

Lançamento: 2015

Editora: Knopf Books for Young Readers

Páginas: 608

Sinopse:

Nesta manhã, Kady pensou que romper com Ezra era a coisa mais difícil que ela teria de fazer.

Nesta tarde, o planeta dela foi invadido.

O ano é 2575, e duas mega-corporações rivais estão em guerra por um planeta que é um pouquinho mais do que uma partícula coberta de gelo no fim do universo. É uma pena que ninguém pensou em avisar as pessoas que estavam vivendo nele. Com o inimigo fazendo chover fogo neles, Kady e Ezra – que mal estão se falando – são forçados a lutar para entrar em uma frota de evacuação, com um navio de guerra perseguindo-os.

Mas os problemas deles estão apenas começando. Uma praga mortal se espalhou e está mudando, com resultados aterrorizantes; o comboio AI, que deveria estar protegendo-os, pode na verdade ser o inimigo deles; e ninguém no comando dirá o que realmente está acontecendo. Enquanto Kady hackeia um emaranhado de dados da web para encontrar a verdade, está claro que apenas uma pessoa pode ajudá-la a iluminar tudo isso: o ex-namorado que ela jurou nunca mais falar novamente.

Narrado por um fascinante dossiê de documentos hackeados – incluindo emails, esquemas, arquivos militares, mensagens instantâneas, relatórios médicos, entrevistas e mais – Illuminae é o primeiro livro de uma trilogia de parar o coração sobre vidas interrompidas, o preço da verdade, e a coragem de heróis cotidianos.

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12 Comentários

  • Ludyanne Carvalho

    Amei essa foto, e a capa é super bonita.
    Não leio muito ficção científica, mas vou procurar saber mais sobre o trabalho dos autores.

    Beijos

    25 de setembro de 2017 às 21:40 Responder
    • Layla Magalhães

      Oi, Ludy! Perdoa o post sem resenha e não desiste da gente! Hahahaha foram problemas técnicos.

      Olha, não quero ser chata (mas já sendo), mas por que você não lê sci-fi? E mais, por que não tentar Illuminae (quando ele for lançado aqui e ele vai em nome de Jesus)?

      Você nem sente que ele é uma ficção científica. É tão bem humorado, tão gostoso e leve de ler! E tem romance, quer engajamento melhor? (Olha a doida querendo convencer você).

      Beijos e obrigada pelo comentário até quando não tinha nada pra comentar hahah você é muito linda, e a capa é incrível mesmo

      26 de setembro de 2017 às 19:34 Responder
      • Ludyanne Carvalho

        Hahaha bem que achei estranho; até verifiquei umas 3 vezes a procura de mais textos, e nada.

        Essa é uma boa pergunta, nem eu sei responder. Acredito que é mais por prioridades do que gosto, já que nunca li ficção científica. Mas já li algumas resenhas do gênero e são bem interessantes. Vou continuar lendo a resenha e já te conto o que achei…

        Uaaau, Layla! Revendo opinião sobre ficção científica em 3, 2,1…
        Confesso que a sinopse não me chama muita atenção, mas a resenha me despertou a vontade de conhecer esta história, independente do gênero.
        E os quotes? São tão incríveis!
        Um livro que nos faz refletir sobre a humanidade; somos um reflexo dela ou ela é um reflexo nosso? É tão fácil reclamar da humanidade, e o que fazemos para torná-la melhor?
        Uau… Quando for lançado por aqui, vou incluir na minha lista.
        Além do mais, o modo que é narrado é muito interessante. Me lembra Simplesmente acontece – Cecelia Ahern. A história toda é contada por sms, e-mails, cartas… Diferente, mas muito legal.

        Beijos

        26 de setembro de 2017 às 21:42 Responder
  • Lili Aragão

    Sendo uma ficção cientifica com humor e romance já me despertou interesse, ainda não conhecia mas curti a capa e a indicação, vou pesquisar mais e cruzar os dedos pra que ela venha por aqui futuramente *__*

    26 de setembro de 2017 às 09:15 Responder
    • Layla Magalhães

      Lili!!!!! Perdoa o post sem resenha, deu falha aqui hahaha mas já consertamos, amém!

      Espero que você leia a resenha e fique mais convencida ainda de que esse é um livro que vale a pena! Ele é uuuuuuúnico, incrível, e a edição é de babar. Fico sonhando com a darkside ou a plataforma 21 trazendo ele pra cá.

      Beijos grandes e obrigada pelo comentário até quando não tinha nada sobre o que comentar! Hahahaha

      26 de setembro de 2017 às 19:37 Responder
      • Lili Aragão

        kkkkkkkkkkkkkk rindo muito agora, então…. eu até esperei um tempo pra comentar pensando que poderia surgir uma resenha, mas não surgiu e como tinha capa e a indicação do tipo de leitor, pensei, tem coisa pra falar kkkkkkk

        Maaaas, vamos falar da resenha, gostei de saber mais sobre o livro, o fato dele levantar questionamentos que realmente fazemos sempre sobre a humanidade da qual fazemos parte é muito bom e pra falar a verdade e apesar de fazer os questionamentos que você falou eu meio que não pensava muito sobre o fato de fazer parte da “massa” e gostei disso na resenha, me deu sobre o que refletir. Contudo, fiquei preocupada com o tipo de narrativa, através de “Descrições de arquivos de áudio, de vídeo, relatórios, registros de emails, de chats – o livro é composto por isso.” preocupa-me o fato de não conseguir me adaptar, eu li um livro composto só de cartas e e-mail’s, ou melhor tentei e não consegui me conectar. Ainda assim, a resenha tá animadora e se for lançado por aqui pode ser que me arrisque. Agora sobre um paragrafo que você fala sobre a questão de você achar que a humanidade deveria estar mais evoluída no ano em que o livro se passa (se entendi certo) e eu tenho que dizer que eu esperava que já estivéssemos hoje mais evoluídos desde que assistia a filmes, desenhos e séries futuristas lá pelos anos 90 (não sou tão velha haha), mas além de ainda não existirem os carros voadores dos Jetsons haha, os humanos parecem andar em círculos com os mesmos problemas de egoísmo, ambição, preconceito e por ai vai, o que é bem chato e não me dá ilusões pra grandes mudanças no futuro :/ 😀

        Ótima resenha e vamos cruzar os dedos pra essa história chegar por aqui *__*

        27 de setembro de 2017 às 08:56 Responder
  • Hérica Lima

    Que história legal, eu confesso que não leio muito esse gênero, mas esses quotes me chamaram muito a atenção!
    Adoro romance e adoro livros que se passam em um ano bem distante. Acho que lerei.
    Vou ficar bem confusa no começo, porém acho que no final tudo vai dar certo.

    27 de setembro de 2017 às 11:27 Responder
    • Layla Magalhães

      Eu recomendo muito que você tente a leitura, H, mesmo que não curta o gênero. É um livro muito viciante e engraçado, e o romance é incrível!

      Você fica confusa mesmo, mas logo vai entendendo tudo. Os protagonistas são maravilhosos, então fica mais fácil se apaixonar, mesmo que confusa haha

      Beijoooo

      12 de outubro de 2017 às 17:37 Responder
  • Marta Izabel

    Oi, Layla!!
    Nossa fique bem interessada nessa estória incrível, pois ela têm bons elementos para construir um bom livro!! E também fiquei bem surpresa pois não tinha ouvido falar dele ainda. Mas sem dúvida agora ele vai direto para minha lista de desejados. Amei a indicação.
    Bjoss

    27 de setembro de 2017 às 16:41 Responder
    • Layla Magalhães

      Oi, Marta!

      Fico feliz que tenha gostado. Muita gente não curte sci-fi, mas esse livro é super válido pela quantidade de elementos que os autores abordam. Espero que você tenha a chance de ler e que ame tanto quanto eu!

      Beijos grandes, lindona

      12 de outubro de 2017 às 17:38 Responder
  • Pamela Mendes

    Eu sinceramente não fiquei muito interessada nesse livro. Eu até gosto de ler alguns gêneros diferentes de vez em quando pra dar uma variada, mas eu não gosto nem um pouco de ficção científica. E o enredo desse livro não me atrai nem um pouco =/
    Mas que bom que você gostou do livro, para os fãs do gênero esse livro parece ser uma ótima dica!
    Bjss ^^

    28 de setembro de 2017 às 21:54 Responder
    • Layla Magalhães

      Oi, P!

      Não quero tentar te convencer nem nada (mas já tentando hahaha), a ficção científica é um dos fatores que compõem a história, mas é um dentre muitos. Tem romance, tem humor, temos personagens maravilhosos que valem a pena conhecer. Acho que, se você tivesse a oportunidade e desse uma chance, você poderia gostar bastante!

      E simmmmmmmmmm, como amante de sci-fi e toda a proposta de um futuro tecnológico, eu adorei muito, mas não foram meus pontos favoritos, viu?

      Beijos grandes, P!

      12 de outubro de 2017 às 17:41 Responder

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