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Para Ficar de Olho – Warcross

Publicado em 26 de novembro de 2017
- Em Inglês, Ficção Científica, New Adult, Para ficar de olho, Romance, Thriller

LIVRO ESPECIALMENTE INDICADO àqueles leitores que gostam de futuros super tecnológicos e cheios de possibilidades que põe em cheque nossa moral e ética. Recomendado para quem quer uma leitura inédita, fluida e viciante, com muita representatividade e cheia de surpresas. É um livro para quem já conhece Marie Lu e quem nunca a viu antes. Com hackers, deep-web e jogadores profissionais, Warcross é diferente de tudo o que você já viu.

Estamos condenados a ser livres.

Vocês já ouviram falar de Jean-Paul Sartre? Não darei nenhuma aula de existencialismo por aqui, mas ele foi um grande filósofo que acreditava que o ser humano se define pelas escolhas que ele faz e não por características pré-definidas que lhe foram atribuídas, como por exemplo uma faca, que foi feita única e exclusivamente para cortar.

Ele dizia que vamos nos moldando conforme vamos escolhendo, e essa oportunidade de optar pelo que quisermos, esse livre arbítrio em que nós somos os agentes, nós somos os que decidimos, gera uma angústia na gente. Afinal, quem não fica angustiado diante de dois caminhos, duas oportunidades, duas escolhas, quando se tem que eleger uma coisa só?

É claro, ele foi um pensador dentre muitos. Outros acreditavam que o ser humano é determinado por seu subconsciente, outros que somos determinados por nosso comportamento. Não vou me desdobrar no que grandes estudiosos teorizavam, mas vou perguntar a vocês, pensadores de nossa atualidade: o que define o ser humano?

No que vocês acreditam?

Por que vocês acham que um criminoso rouba e mata e sequestra? Vocês acham que ele guarda notas e notas de cem que são de outras pessoas porque seu comportamento assim lhe ordenou, pelo seu subconsciente, pelas suas crenças, necessidades ou por suas escolhas?

Não sei qual é a resposta de vocês, mas eis o que eu acredito: somos o que somos porque temos a possibilidade de escolher. Temos o livre arbítrio, podemos ir e vir, pudemos ir de servos a donos das terras, pudemos sair da idade média e chegar aqui, onde estamos hoje. Temos a liberdade, e ela é fundamental.

Mas, às vezes, as pessoas te jogam no chão porque eles acham a forma dos seus olhos engraçada. Elas te dão o bote porque vêem um corpo vulnerável. Ou um diferente tom de pele. Ou um nome difícil. Ou uma menina. Elas pensam que você não vai bater de volta – que você vai apenas abaixar seus olhos e se esconder. E às vezes, para proteger a si mesmo, você faz isso.
Mas, às vezes, você se encontra na posição perfeita, empunhando exatamente a arma certa para contra-atacar. Então, eu contra-ataco. Eu contra-ataco rápida e forte e furiosamente. Eu golpeio com nada além da linguagem sussurrada por circuitos e fios, a língua que pode deixar as pessoas de joelhos.

Bem, de livre e espontânea vontade eu peguei Warcross, e peguei acreditando que não cairia nas manhas da Marie Lu novamente. Não depois de sofrer com Legend e Prodigy e Champion (Champion, meu Deus!) e Jovens de Elite e Sociedade da Rosa e principalmente com Estrela da Meia-Noite. Não. Eu estava batizada, pensei, e por isso, conforme conhecia a história de Emika, uma hacker habilidosa e caçadora de recompensas, desconfiei de cada um que aparecia a sua frente, desde o menor personagem até o maior. Eu fazia isso pra não ser surpreendida por Marie novamente, para não ter meu coração completamente despedaçado sem conseguir prever o que estava prestes a acontecer.

Por um tempo, é claro, achei que minha tática estava dando certo. Acompanhei a vida de Emika mudar e se encher de estranhos que lhe eram muito familiares, cheia de suspeita, duvidando até dos mortos. Prometi pra mim mesma, também, que não shipparia nenhum casal, já que o histórico de Marie Lu com otps é devastador e sofri muito com cada um deles.

E é óbvio que, mesmo desconfiando até da sombra da nossa protagonista, eu caí, inegável e perturbadoramente na trama da autora. E é também óbvio que shippei, e shippei muito, e acabei por sofrer demais mais uma vez.

Eu caí, e por ter caído mesmo antecipando que isso poderia acontecer, levo essa questão para outro patamar e pergunto-lhes: se houvesse um modo de evitar a queda, se houvesse um modo de controlar nossos impulsos destrutivos, de parar o dedo que atira, de imobilizar o pai que estupra, de pausar o político que rouba, o presidente que age preconceituosamente, de evitar que as pessoas sequestrem crianças diariamente… você concordaria com este caminho? Mesmo que ele tirasse a essência do que somos, mesmo que ele tirasse de nós a possibilidade de escolher, de exercer nosso livre arbítrio?

Você tem de aprender a olhar para o todo das coisas, e não só para as partes. Relaxe seus olhos. Assimile toda a imagem de uma só vez.

Vocês provavelmente já passaram por alguma situação abastada de injustiça na vida de vocês. Se vocês pudessem, de algum modo, revertê-la, fazendo o iníquo pagar, mesmo que isso significasse decidir por ele, mesmo que isso significasse que não seria escolha dele… vocês reverteriam?

Entre continuar a viver em um mundo cheio de violência e preconceito e caos e um mundo em que você pode não tomar suas próprias escolhas… em qual dos mundos você optaria passar toda a sua vida?

Com uma escrita fluida e viciante, Marie Lu mais uma vez surpreende com seus personagens penetrantes e apaixonantes e que, como uma palheta de cores, podem ser muito mais do que um só tom. Temi que o livro fosse chato por sua temática, seu enredo em que muito se foca no jogo – Warcross – e em tecnologias muito a frente de nosso tempo. Contudo, não fora esse o caso. Encontrei-me curiosa e ávida por mais descrições de todo o jogo e pelas páginas cheias de high-tech que, habilmente, a autora elaborou. Outra coisa que me deixou com o pé atrás fora a capa – a gente até tenta não julgar o livro pela capa, mas ela é o primeiro contato com toda a obra que temos, fazer o quê –, mas a edição está muito linda, com os balões de mensagens que conhecemos e muito vemos em nossas conversas pelas redes sociais, as quebras de capítulos e a diagramação.

Cada um no mundo está conectado de algum modo com todos os outros.

Além disso, acho importante ressaltar, para os que tem medo de ler esse livro pelo fato de falar de um jogo, que nele não há controles e botões e fios, como temos no Playstation e no Xbox – o controle do jogo, do computador, do software, é o seu cérebro.

O mundo é visto como se estivéssemos o tempo todo com óculos VR, em realidades alternativas em que podemos ser e fazer tudo o que quisermos, e toda essa plataforma deu às pessoas uma nova forma de se viver e trabalhar, revolucionando o modo de interagirmos com a internet. Contextualizando, hoje é impossível nos vermos sem celulares. No mundo de Emika, é impossível se viver sem Warcross.

Fora o fator inédito do jogo que Marie criara, temos as personagens fascinantes do livro, as reflexões que ele nos remete e, para quem tem muito medo do avanço da tecnologia e, mais especificamente, das inteligências artificiais, assim como eu, um punhado de novas coisas a se pensar e muitos novos pesadelos para se ter.

Warcross merece toda a expectativa que os leitores criaram e muito mais. Ele é um enigma, uma grande e atual reflexão, um desejo de vida e um óculos de grau que aumenta ou diminui nossa ótica sobre algumas coisas. É um livro que vale muito a pena.

Toda porta trancada tem uma chave.

 


Título: Warcross
Autora: Marie Lu
Lançamento: 2017
Editora: G.P. Putnam’s Sons Books For Young Readers
Páginas: 416
Sinopse: Para as milhares de pessoas que fazem log in todos os dias, Warcross não é apenas um jogo – é um modo de vida. A obsessão começou há dez anos e a fan base agora abrange todo o globo, alguns desejando escapar da realidade e outros esperando lucrar. Lutando para bancar as despesas, a adolescente Emika Chen trabalha como uma caçadora de recompensas, rastreando os jogadores que apostam no jogo de forma ilegal. Mas o mundo dos caçadores de recompensas é um mundo competitivo, e sobreviver não tem sido fácil. Precisando fazer dinheiro de forma rápida, Emika se arrisca e hackeia a abertura do campeonato internacional de Warcross – apenas para acidentalmente colocar a si mesma na ação e se transformar em uma sensação da noite pro dia. Convencida de que seria presa, Emika fica chocada quando recebe uma ligação do criador do jogo, o esquivo e jovem bilionário Hideo Tanaka, com uma oferta irresistível. Ele precisa de um espião dentro do torneio deste ano para descobrir um problema com a segurança… e ele quer a Emika para o trabalho. Sem tempo a perder, Emika é levada a Tóquio e adentra um mundo de fama e fortuna que ela apenas pudera sonhar. Mas rapidamente sua investigação revela uma reviravolta sinistra, com consequências maiores do que o império de Warcross. Neste thriller de ficção científica, a autora bestselling número um do New York Times, Marie Lu, conjura um mundo imersivo e estimulante em que escolher em quem se confiar pode ser  a maior aposta de todas.

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15 Comentários

  • Ludyanne Carvalho

    LAYLAAAA… Menina, suas resenhas me deixam sem fôlego. Uau!

    Quando comecei a ler, pensei: “não é o tipo de leitura que eu gosto.”
    Então você utilizou Sartre para mostrar grande parte da história e eu fiquei: “😮”.
    Mas preciso citar Machado de Assis: “Se definir é se limitar. Você é um eterno parênteses em aberto enquanto sua eternidade durar.” E é nisso que acredito.
    Logo veio a questão da escolha em evitar impulsos, achei genial se não custasse nossa essência. E pensar em perder isso é absolutamente terrível. Porque acredito que a nossa essência é o que somos antes do mundo, da facilidade, poder e dinheiro nos corromper. E não podemos perder.
    Eu não conheço a escrita da Marie, nem li nada em que um dos temas principais sejam jogos, e foi gratificante conhecer um pouquinho; mas pela sua resenha do que pela história.

    Beijos

    26 de novembro de 2017 às 13:59 Responder
    • Layla Magalhães

      Você vem com essa citação de Machado e ganha meu coração 🖤 a escolha é o x da questão real, e o livro mexe bem com esse lance, então por mais que tenha todo o aspecto de game (que eu tbm não curto, maaaassss) é uma super leitura! Tá concorrendo a uma das melhores do ano na votação do GoodReads e eu tô só de olho. Leia algo da Marie, Ludy, você não vai se arrepender! É MARAVILHOSAAAA ESSA AUTORA!

      Beijos e obrigada pelos comentários e o carisma sempre, sua linda!

      29 de novembro de 2017 às 17:27 Responder
  • Lili Aragão

    Oi Layla, se tu me perguntasse se existisse um mecanismo, um poder, alguma forma de impedir um politico de roubar e acabar tornando os hospitais e as escolas mais precárias, a situação da população mais difícil, a resposta seria sim, com certeza… mas se me perguntassem se eu gostaria de não poder escolher o que quero ser ou como viver minha vida, a resposta seria diferente e apesar de termos perguntas que parecem super diferentes, elas tratam do mesmo tema né? escolhas… e tua resenha mais uma vez me levou a pensar e acho legal isso nelas da mesma forma que achei interessante a trama do livro. Eu tive uma experiência com essa autora, Jovens de Elite, mas não curti, não sei se me daria bem com essa leitura, contudo ela ainda é interessante e tua resenha deixa qualquer leitor animado 😉

    26 de novembro de 2017 às 15:00 Responder
    • Layla Magalhães

      Que pena que tu não curtiu Jovens de Elite, Lili! Eu amo de paixão.

      E simmm, por mais diferentes que uma pergunta seja da outra, por mais que as respostas se confundam, é tudo sobre o mesmo tema e é realmente polêmico. Livre arbítrio x qualidade de vida, mesmo numa ficção científica, é um papo atual e bem condizente com o que vivemos.

      Fico feliz que você tenha gostado da resenha e torço para que você dê outras chances a Marie, porque ela merece muuuuito. Beijos grandes!

      29 de novembro de 2017 às 17:30 Responder
  • Alison de Jesus

    Olá, eu AMO essa autora, seus livros são simplesmente maravilhosos (apesar de sempre nos deixarem na bad com seus desfechos). A premissa dessa obra parece ser bem original, sem contar que deixa no ar uma reflexão acerca de até onde a tecnologia é benéfica. Beijos.

    26 de novembro de 2017 às 16:13 Responder
    • Layla Magalhães

      Oi, A! A Marie Lu é arraso mesmo (mesmo deixando nossos corações despedaçados, como você disse hahaha). É um livro muito original mesmo, e tá fazendo sucesso lá fora. Os questionamentos são múltiplos (que nem os caquinhos que ficam do nosso coração depois de lê-lo. Se prepara!)

      Beijos e obrigada pelo comentário ⚘

      29 de novembro de 2017 às 17:33 Responder
  • Pamela Liu

    Oi Layla.
    Já li a trilogia Legend e gostei. Ainda não li Jovens de elite, mas está nos meus desejados.
    Adorei a premissa de Warcross. Responder as suas perguntas é muito difícil. Acho que as nossas escolhas são o que nos define, é claro que o ambiente também influencia, mas no final somos o resultado das nossas escolhas e temos que lidar com as consequências delas.
    Diz pra mim que é um livro único. Não quero começar novas séries.
    Adorei a capa! É linda!
    Bjs

    27 de novembro de 2017 às 16:56 Responder
    • Layla Magalhães

      Oi, P!

      A Marie arrasa muito, maaaas sinto em dizer que não é livro único (aaaaaaa) e sim uma duologia. Tá bom, vai?

      Você curtiu a capa? Eu não fiquei muito feliz com ela, mas o efeito de corrente e 3D é sensacional, então a gente fica de boa 🙈

      Beijos e obrigada pelo comentário!

      29 de novembro de 2017 às 17:36 Responder
  • Naiara Fidelis da Silva

    Vejo sempre comentarios positivos sobre esta autora o que acaba me deixando muito curiosa para ler os livros dela.

    Este livro é um dos que estão na minha lista de desejados, pois lendo a sinopse me parece ser o tipo de livro que eu vou adorar.

    28 de novembro de 2017 às 05:48 Responder
    • Layla Magalhães

      Espero que você adore mesmo, N! E meu, vai na fé, que essa autora é maravilhosa!

      29 de novembro de 2017 às 17:37 Responder
  • Marlene Conceição

    Oi.
    Confesso que muito antes de começar a resenha, já estava coma ideia fixada na minha cabeça que não iria gostar da premissa desse livro.
    Todavia confesso que irei feio, eu simplesmente adorei, ainda não li nada da autora, porém já ouvir falar da trilogia legend, que particularmente tenha muita vontade de conhecer, voltando ao que interessa, eu amei a premissa desse livro, essa capa é linda e eu preciso ler com toda certeza.
    Bjs.

    28 de novembro de 2017 às 16:00 Responder
    • Layla Magalhães

      Oi, M!! Fico feliz que você tenha gostado, mesmo com o pézinho atrás. É um livro cheio de surpresas, viu?

      Espero que você possa lê-lo (e legend também porque é muito bom!) e que goste tanto quanto eu gosto!

      Beijos ⚘

      29 de novembro de 2017 às 17:39 Responder
  • Tays Costa

    Muuuito esperta essa dona Marie Lu!
    kkkkkkk

    Amo essa autora! sofri horrores com ela e sofreria mil outra vezes.
    Adorei a resenha! MeuDeus! Que perfeita!
    Quero ser surpreendida uma vez mais. Tem previsão de lançamento aqui no Brasil? Meu inglês é tão fraquinho.
    Beijosss

    28 de novembro de 2017 às 19:31 Responder
  • Isabela Carvalho

    Oi Layla 😉
    Adoro esses livros estrangeiros que você indica menina! Warcross tem uma premissa bem interessante, e diferente de tudo que já li, por isso que fiquei interessada.
    Nunca li nada da autora, mas Legend está na minha lista de leitura e pelo que você disse a série é só sofrência kkkkkkk #medo
    Gosto de livros que se passam no mundo dos jogos. Li uma uma vez bem interessante, não sei se você conhece… o Erebos – O Jogo da Morte, que li há anos e lembro de gostar bastante!
    Enfim, quero ler o livro e conhecer maiss obre a história da Emika
    Bjos

    30 de novembro de 2017 às 20:26 Responder
  • Carolina Venceslau

    Esses livros com mundo sem votos de muita tecnologia sempre são uma complicação para mim sempre me perco na Trama na história o desenrolar da história é confuso para mim é realmente muito chato eu tentar concluir a leitura sendo que muitas vezes o livro não me prende

    30 de novembro de 2017 às 21:58 Responder
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