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Publicado em 7 de maio de 2018
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Você já passou por um momento na vida em que as coisas foram acontecendo de maneira completamente inesperada, com força, sem deixar o mínimo espaço para uma respiração muito necessária? Você já sentiu a sensação de estar se afogando em sentimentos e, de repente, vivendo um vazio existencial que consumia toda a sua energia? Nos últimos meses, me senti assim.

Primeiro muitas coisas começaram a dar errado. Quando digo errado, é errado mesmo, daquele tipo de situação que num primeiro momento tiram completamente nosso chão. A gente sente o suporte das pessoas queridas que permanecem por perto, dos amigos que encurtam a distância, de pessoas que nos surpreendem e estendem a mão sem que a gente nem ao menos espere. Mas o contrário também acontece, e as decepções vão nos fazendo acreditar que ficar isolado do mundo pode ser a alternativa mais saudável. Menos doída.

Aos poucos a gente para de responder as mensagens. Depois a gente para de ler as que ainda chegam… Aos poucos a gente deixa de sair de casa, e quando encontra uma forcinha a mais pra levantar da cama, a gente já volta em seguida porque o escurinho do quarto é mais acolhedor do que os olhares enviesados que a gente supõe que está recebendo. A falta de vontade de sair, de conversar e de ver pessoas acaba se transformando numa falta de vontade de fazer tudo aquilo que antes causava um prazer imenso: as séries não são mais maratonadas. O sono chega nos primeiros dez minutos do filme. As leituras vão se acumulando, não porque não há histórias legais para conhecer, mas porque até uma atividade antes super desejada se torna um fardo tremendo. Escrever pro blog então? Pra quê? Melhor é dormir. Melhor é se voltar cada vez mais para dentro, sumir do mundo e viver porque afinal, é o que resta.

Mas daí, por um motivo ou por outro, a gente toma consciência de que isso não é viver. A gente percebe o quanto está perdendo. A gente vai se permitindo aceitar todo tipo de ajuda, do tipo que vem até a gente na forma de uma mensagem carinhosa, de uma amiga distante, que afirma categoricamente que pensa em você e que não está sozinha.   Vem na forma de um abraço carinhoso de alguém que a gente ama. Da lambida de um bichinho de estimação. Dos problemas compartilhados na fila do supermercado, no horário de almoço no trabalho, nas cartinhas que ainda chegam pelos correios… A força, aquela intrínseca, vai ressurgindo aos poucos conforme a gente percebe que a vida vale a pena. Conforme a gente dá nome pro mostro que nos devora por dentro, e percebe que se a gente entra na luta pelo outro quando ele está em depressão, vale a pena lutar por nós mesmos quando a doença chega até nós.

A luta é diária. Uns dias são difíceis, outros mais fáceis, nenhum igual ao outro e isso já é um motivo para comemorar. A gente levanta, traça metas diárias bem pequenininhas, e comemora cada passo dado como se tivesse vencido uma maratona… E às vezes, a sensação é bem essa mesmo. A gente força a cabeça para cima, abre o peito para o que a vida oferece de bom, e aceita de bom grado o suporte que vem de fora, conforme nossas forças internas vão se recarregando. Aos poucos a vida vai fazendo sentido de novo. Aos poucos, a gente vai se permitindo sorrir, e vai ressignificando toda a dor e toda a angústia que antes tomava conta do corpo e da mente. Aos poucos a gente vai ressurgindo das cinzas e permitindo que as cores voltem a fazer parte da rotina. Aos poucos, tudo se ajeita.

A leitura foi uma das atividades que mais me ajudou nos últimos meses, mesmo que o ritmo tenha diminuído, mesmo que o hábito tenha se tornado mais individual e, confesso, mais solitário. De todo modo, não posso negar que a leitura me trouxe amigos que vou levar para a vida. Me ajudou e me fortaleceu de modo que consegui levantar e seguir em frente. Então, vamos voltar a usar esse espaço literário/terapêutico. Aos poucos a gente volta.

Peço desculpas pelos comentários não respondidos, pelo sorteio do top não realizado. Esta semana ainda essa pendência será resolvida e a gente finalmente começa o ano novo aqui no Leitoras. Se temos algo pendente com você, por favor, encaminha um email pro leitorasinquietas@gmail.com que a gente resolve.

Beijo

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2 Comentários

  • Ludyanne Carvalho

    Krisna… Estou emocionada.
    Entendo bem do que está falando, talvez em um grau menor; mas sou a favor do sentir, independente do que seja. Se permitir sentir a dor, o vazio, o desânimo e vivenciar isso. Essa solidão. Nos descobrimos nesse processo, descobrimos quem está do nosso lado. E por mais doloroso que seja e por não querer revistar esse momento, é certo que é um aprendizado.
    Te envio um mega abraço daqueles bem apertados, e saiba que fiquei muito feliz em ver que algo em você despertou e que decidiu se permitir sentir novos e bons sentimentos.
    Os livros são ótimos companheiros não é mesmo.
    Meu coração se aperta por esse momento que viveu ao mesmo tempo que se alegra ao perceber que você está se fortalecendo e se reencontrando.
    Não está sozinha!
    Amei saber que o blog vai voltar; mas vai no seu tempo.
    E mesmo não te conhecendo, tenha certeza da minha admiração e meu carinho.
    Muita força, muita luz…

    Beijos

    7 de maio de 2018 às 22:52 Responder
  • Aline Rodrigues

    Krisna, suas palavras muito me emocionam.

    Fico feliz em ver você postando por aqui novamente, tudo que vivenciamos é importante pois nos fortalece, tudo tem seu tempo e mesmo que não possuídos o conhecimento universal sabemos que nada é para sempre, os dias ruins não serão eternos.

    Admiro muito você como pessoa e como profissional, se precisar pode me gritar. Eu amo você amiga!

    8 de maio de 2018 às 14:22 Responder
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