Siga nossas redes:

Resenha – Não me Esqueças

Publicado em 19 de outubro de 2017
- Nacional, Resenhas, Romance de Época, Verus

LIVRO ESPECIALMENTE INDICADO PARA quem busca uma história de amor daquele tipo que mais parece um encontro de almas, com direito a uma dose extra de humor e sensualidade. Ideal para ler naqueles momentos que buscamos uma narrativa que encanta, emociona e que desperta (ou resgata) a curiosidade sobre culturas antigas e cheias de magia.

Quando penso em romance de época já imagino uma história doce, com protagonistas femininas que costumam ser à frente de seu tempo, com personagens que se metem em enrascadas, mas com um desfecho que normalmente costuma agradar e encher de amor o coração de quem lê. Isso porque focar no romance e proporcionar um final feliz aos personagens é característica do gênero, então é comum iniciar uma história deste tipo já sabendo o que vamos encontrar. Não me Esqueças tem essas características, e ainda assim é capaz de inovar e provar para quem o lê que é possível sim inovar em um gênero que tende a ser clichê. Aliás, Babi A. Sette se consolida a cada livro como uma autora que inova e se renova sempre que publica algo novo. Nenhuma história sua é igual a outra.

Neste livro conhecemos Lizzie e Gareth. Ela é nada mais nada menos que filha de Kathelyn e Arthur, então era de se esperar que fosse uma jovem fora dos padrões esperados pela sociedade. Inteligente, estudiosa, uma apreciadora e pesquisadora da cultura Celta, Lizzie tem aspirações que vão na contramão dos desejos das mocinhas da época. Ela não pensa em casar, constituir família ou viver de maneira submissa a um homem qualquer que tenha um título aristocrático. Seu prazer reside na história, seus desejos vão na direção das Highlands e sua ambição envolve desvendar os mistérios dessa cultura tão rica e mística. Com a bênção dos pais, ela segue viagem para a Escócia; com o objetivo de passar o verão conhecendo o local, as pessoas e as lendas ela embarca em uma viagem que promete ser muito instrutiva. Claro, algo dá errado no meio do caminho. E ao invés de ir para as terras de uma amiga como todos esperavam, ela vai parar justamente no castelo de Gareth. Ah, Gareth…

Líder de um clã bem peculiar, que guarda segredos e vive de maneira reclusa, Gareth é o tipo de personagem que desperta sentimentos mistos em quem o conhece. Isso porque seu jeito meio impulsivo, bruto, inseguro e contraditório em diversos momentos trava uma batalha constante com uma gentileza sem tamanho, com um comprometimento e cuidado com o próprio povo que o faz pensar primeiro no outro, mesmo que isso o machuque. De todo modo, ele lidera de maneira correta e justa, mas quando Lizzie aparece toda a coerência ameaça se perder. Para conhecê-la melhor, para protegê-la de quem quer lhe fazer mal e até dele mesmo, Gareth enfrenta não somente pessoas que fazem parte do seu círculo mais íntimo, mas também os fantasmas que o acompanham desde que uma tragédia aconteceu em sua vida e mudou seu destino.

De maneira poética a autora fala sobre um encontro de almas marcado para acontecer. Mas não pensem que o lirismo aqui é sinônimo de facilidade, pelo contrário. Os protagonistas precisam lutar contra inimigos físicos e emocionais, precisam lidar com questões seculares que podem tanto ser motivo de discórdia quanto de amadurecimento e fechamento de ciclos. Tudo isso através de uma narrativa sensual e romântica que com frequência é salpicada de humor e ironia. Em Não me Esqueças o leitor conhece a história desse casal, mas também tem a oportunidade de matar a saudade de  personagens mais antigos, que conhecemos no livro A promessa da Rosa.

Além disso, este livro é, de certa forma, um convite para conhecer mais sobre a cultura celta e tudo relacionado à ela: seu misticismo, os costumes e tradições, a ambientação que nos transporta para lugares fantásticos… Somos convidados a aprender mais sobre a conexão deste povo com a natureza e com toda a magia relacionada às suas lendas e mitos. E acredito que além de tudo isso, este livro é uma oportunidade para que a gente conheça, fortaleça ou resgate nossa crença no sagrado feminino, na intuição, no amor e na possibilidade de encontrar nossa outra metade.

É sem dúvidas um livro que merece ser, além de lido, degustado, saboreado. E guardado com carinho no coração. É possível lê-lo mesmo que seja o primeiro contato com a escrita da autora, pois a história aqui é distinta e sem relação direta com os livros anteriores. De todo modo, ler A promessa da Rosa permitirá uma melhor compreensão da personalidade de personagens citados nesta obra, então fica a sugestão de conhecer os outros romances de época escrito pela Babi, que já foram inclusive resenhados aqui no blog.

Você está em busca de um romance de época delicinha? Esta é a pedida. Você gostaria de saber mais sobre a Escócia e sobre os segredos guardados debaixo dos kilts? Algumas respostas podem ser encontradas nessas páginas. O objetivo é mergulhar em uma narrativa repleta de história, magia e tradições incríveis? Então pule de cabeça em Não me Esqueças, e se permita suspirar, encantar e se apaixonar pela escrita da Babi.


Livro: Não me Esqueças
Autora: Babi A. Sette
Lançamento: 2017
Editora: Verus
Páginas: 350
Sinopse: Em um cenário de contos de fadas, Babi A. Sette convida o leitor a mergulhar em um mundo novo, repleto do encantamento que somente um amor de almas gêmeas pode realizar. Aos vinte e um anos, Lizzie deveria estar empenhada em fisgar um noivo e finalmente se casar. Entretanto, após uma decepção amorosa, o coração da jovem só palpita por sua grande paixão — os estudos sobre o povo e a cultura celtas. Esse interesse faz com que ela troque os concorridos salões de baile de Londres pelas estradas desertas e sinuosas das Highlands escocesas.
Ali, ela conhecerá Gareth, o enigmático líder do clã que vive no local mais remoto e bucólico da Escócia. Envolto em uma aura de mistério, ele luta para manter suas tradições, seus segredos e, principalmente, seu povo em segurança.
Enquanto o austero Gareth tem a vida toda sob controle e resiste a mudanças, Lizzie está muito entusiasmada com suas explorações e descobertas. Porém a vida de ambos é alterada de maneira inexorável quando uma fatalidade transforma a tão sonhada aventura de Lizzie em pesadelo.
Vindos de mundos tão diferentes, mas unidos por uma atração irresistível, Lizzie e Gareth vivem uma paixão proibida e desafiadora, sem saber que finalmente poderão encontrar aquilo que só ousavam buscar em sonhos.

Resenha – O Jogo do Amor e da Morte

Publicado em 10 de outubro de 2017
- Drama, New Adult, Resenhas, Romance, Verus

LIVRO ESPECIALMENTE INDICADO para leitores de concepções fortes quanto a vida, o amor e a morte e que querem revisitar ou mudar o modo com que enxergam e interpretam os imprevistos que a vida arma para todos nós. Recomendado para os que não querem apenas romances, mas que almejam reflexões sobre paixões, escolhas e como viver e experimentar não só um grande amor, mas sim uma grande vida.

Forças opostas. Vocês, se forem completamente de humanas e pouquíssimo interessados em física como eu, provavelmente não lembrarão do conceito dessa força, aprendido em física, lá no ensino médio.

Força oposta é a resistência que existe quando você aplica força em alguma coisa, como quando você quer empurrar alguém e essa pessoa demonstra uma força de resistência, impedindo você de empurrá-la. Entretanto, vamos contextualizar de um jeito mais de humanas e num âmbito mais emocional: qual é a sua força oposta? O que costuma te repelir, te fazer lutar para realizar o que você quer? O que te faz suar, chorar e sofrer com sua resistência, seu peso? O que tenta te impedir, diariamente, de fazer e ter sucesso em algo?

Continue Lendo

Resenha – Quarto

Publicado em 2 de outubro de 2017
- Drama, Verus

LIVRO ESPECIALMENTE INDICADO para leitores que buscam leituras maduras e que não só questionam como mudam o que temos tanta certeza de ser certo ou errado. Cativante, emotiva e marcante, Quarto, livro que inspirou o filme Quarto de Jack, é cheio de surpresas e lágrimas e, acima de tudo, aprendizado. Para ler em naqueles momentos em que nos permitimos sentir empatia pela dor dor do outro, e pela possibilidade que cada um tem de ressignificar a própria história.

O livro Quarto, de Emma Donoghue, é como o Quarto em que Jack vivia. Seus componentes eram pequenas coisas além do próprio Jack e da Mãe – os móveis, a Planta, a Cobra de Ovos. O que faz esse livro, além dos personagens, são as pequenas sacadas que Jack dá, com tamanha inocência e pureza e, mesmo assim, tão ricas de significado.

– Que coincidência! Está gostando daqui?
– Estou gostando do bacon.
Ele riu, eu não sabia que tinha feito uma piada de novo.
– Também gosto de bacon. Até demais.
Como gostar pode ser demais?

Continue Lendo